O menino do Rio que eu nunca tive

Nada de dragão tatuado no braço, mas muito calor que provoca arrepio.

Antes de ir para o Rio eu tinha uma visão superficial e preconceituosa dos cariocas. O estereótipo que a maioria dos paulistanos diz: folgados, marrentos e tudo o que há de ruim.

A grande surpresa ou pura sorte minha foi encontrar uns bons moços desses pelo caminho com alguns aspectos em comum: simpatia surreal, sorrisos largos, cantadas engraçadas, malemolência, bom papo, coração aberto, "doUze" e "naiscimento" (tão fofinho ouvir eles falarem).

Cada um com sua particularidade fizeram eu me apaixonar mais de uma vez. O Rio me deu muitos amores. Do que odeia praia, até o mais boemia de todos. Do jiu jitsu ao baile black. De Copacabana ou Vila Isabel.

O jeitinho "malandro simpatia" de lidar com as coisas fez com que eu tivesse diversos momentos divertidos pra relembrar. Afinal, tem coisa melhor que ter alguém de riso fácil por perto? Além disso, esses caras tem lábia, te levam facinho no papo. Ou talvez eu me deixei enfeitiçar pelo sotaquinho.

A verdade é que de todas as paixões cariocas, teve aquela que me deixou sem ar, tirou meu chão e me deixou com frio na barriga por meses. Claro que era o menos provável, mais platônico e o que menos me dava condição. Quem disse que seria fácil, né?

O tipo de cara que você pede pro universo e acha que não existe, aí aparece por acaso, como quem não quer nada e as coisas acontecem de um jeito que você simplesmente não controla. Aliás, que graça teria o amor se não fosse assim?

Sai de SP mais de uma vez só pra ter a chance de vê-lo mais um pouquinho. Me declarei por Facebook. Fui pro Rio no dia seguinte sem dinheiro e de surpresa. Envolvi uma galera de cúmplice em alguns momentos. Ficava feliz só de saber que o que eu fizesse ia tirar um sorrisinho dele.

Acontece que a vida real não é tão linda, né. A gente tenta, sofre e descobre que o outro não tem um botãozinho de liga e desliga pra gostar de você com reciprocidade de um jeito fácil. AINDA MAIS QUANDO VOCÊ ESTÁ HÁ 400km DE DISTÂNCIA.

O amor faz a gente se submeter a muita coisa para encaixar uma pessoa na nossa vida, quando na verdade isso não deveria acontecer. Todos somos seres livres num espaço amplo. Exigir ou esperar algo dos outros é pedir para se decepcionar, porque a gente deixa o poder da nossa felicidade com o outro.

“Onde não puderes amar, não te demores”

Um amor platônico que começou pela internet, virou amor não correspondido disfarçado de amizade até eu entender que de tudo isso o que valia mesmo era a cumplicidade e amizade real que a gente tinha. Durante todo o tempo que essa relação "durou" eu me tornei alguém melhor, me encontrei e fiz o que podia para ser entusiasta da vida do outro também. O menino do rio que não tive me fez tão bem que eu não poderia chamar de outra coisa que não fosse um amor da vida.

E hoje eu canto para Deus proteger-te.

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