Como um Rio

Continuando a minha muy ácida jornada por Hong Kong, comecei a pensar não no que havia de diferente ao meu redor, mas no que havia de familiar. Resolvi listar, mentalmente, as pequenas coisas que fazem com que o SAR se pareça com o Rio de Janeiro. Segue:

  1. A humidade insuportável que faz com que, no verão de quase 6 meses por ano, você sinta o ar pesado ao seu redor, quase como se a gravidade fosse maior por aqui (e por aí). Haja prendedor de cabelo, anti-frizz, anti-humidade, anti-de-tudo.
  2. Escova progressiva faz parte do budget bi-mensal de (quase) todas as mulheres. Inclusive, um dos melhores tratamentos aqui é o Brazilian Blowout, enquanto no Rio o sucesso foi, por anos, o alisamento Japonês.
  3. Tem Dengue.
  4. Não tem Uber, mas tem táxi velho com taxista grosso e cheirando a Derby (mas eu não sei se tem Derby em Hong Kong).
  5. No metrô, ninguém espera o outro sair pra entrar no trem. Me lembra a Cinelândia no final da tarde.
  6. Ah, e se o vagão vier vazio vai ter corrida pra pegar assento. Uma visão semelhante àquela dos trens com direção à Pavuna que saem de Botafogo.
  7. Nas noites quentes (leia-se: todas) baratas cascudas e voadoras infestam as ruas. Nas manhãs seguintes, elas se misturam com às calçadas, esmagadas por pedestres que pisaram ou por desatenção ou por intenção mesmo.
  8. Eles adoram um barraco, ou para armar, ou para assistir. O trânsito anda até devagar se alguém estiver brigando na rua. Não faço ideia do que eles dizem durante os arranca-rabos, mas eu espero que seja algo como: “Você sabe com quem você está falando?!?!” só pra ficar ainda mais com a cara do Rio.
  9. Camelôs vendem as mais diversas utilidades, desde piranhas de cabelo até fantasia de Dia das Bruxas. E eles puxam conversa com você quando você passa por eles, uma coisa meio “vem cá freguesa que na minha mão é mais barato!” - Saudades Uruguaiana!
  10. Tem praia. Não é lá esssas praias, mas dá pro gasto. Quando a água tá na altura dos joelhos você já não vê os seus pés claramente, uma coisa que faz lembrar a praia de Ipanema, posto 9. ❤
  11. O preço do metro quadrado é uma piada de mau gosto. Tudo aqui é preço de Leblon, quadríssima, vista indevassável. Como no Rio, a galera vai ficando na casa dos pais até se casarem a não ser que os pais ajudem a pagar o aluguel.
  12. Na sexta-feira depois do expediente a galera local toma as calçadas com cadeiras de plástico de boteco e toma a sua cervejinha com os parças, comendo uns belisquetes de origem duvidosa e atrapalhando a passagem dos pedestres. Aqui não tem choque de ordem.

Hong Kong poderia ser tipo um Rio de Janeiro sem bossa, muito mais crowdeado, sem arrastão e sem emoção. Mas é só Hong Kong mesmo.

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