“Nossa rua tem um problema.”

Tão vendo a poça à esquerda? Formada pelos malditos ar-condicionados gotejantes!

Ou melhor: quase todas as ruas de Hong Kong têm ao menos um problema.

Barracas de frutas que deixariam a vigilância sanitária de cabelos em pé (e bolsos cheios), ar-condicionados sem manutenção que fazem com que pedestres se perguntem se aquilo é chuva, casais andando de mãos dadas em calçadas aonde só passam duas pessoas ao mesmo tempo, pedestres lerdos em geral… A lista é infinita.

“Ah, mas Marina, não é super limpo aí?”

É, e não é. Tudo bem, não tem cocô de cachorro na rua, mas as pessoas jogam bituca de cigarro, chiclete e até garrafas de plástico em qualquer lugar (eu vejo muitas garrafas no Victoria Park, aonde eu faço “crossfit” todas as manhãs). Littering é um problema tão grande que inspirou até essa ação aqui da Ogilvy.

Outra coisa curiosa: não é fácil reciclar em Hong Kong, nem nos bairros mais “nobres”. A maioria dos prédios não tem lixeiras diferentes e as pessoas em geral só botam tudo no mesmo saco e mandam ver. Depois de viver na casa mais hare-bo do Rio de Janeiro (oi, mãe!), nos EUA e em Berlim (a gente separava o lixo em uns 4 tipos por lá), é no mínimo chocante viver em um lugar que consome tanto e se preocupa tão pouco com aonde vão parar os resíduos todos.

Ok, ainda assim, as ruas, o transporte público, enfim, tudo que acontece fora de casa costuma ser mais limpo do que no Brasil. Inclusive, essa é outra análise que eu fiz outro dia: eu não conheço quem seja mais limpo que o latino quando se trata da própria casa e de si próprio. Porém, o desdém pelo espaço público é inegável. Aqui é o contrário: as casas são de arrepiar os pelinhos da nuca, enquanto o que é de todos tende a ser mais bem-cuidado.

Menos a porcaria da rua cheia de ar-condicionado gotejante. Como eu odeio os ar-condicionados gotejantes!

Ah, e a mão inglesa que me confunde e quase me leva pro buraco mais cedo? Eu nunca sei pra que lado olhar e várias vezes eu me pego esperando o ônibus do lado errado da via.

Outra coisa: aqui tem grade nas ruas e avenidas pras pessoas não atravessarem fora da faixa de pedestres. Eu não sei se eu gosto disso ou não. Certamente eu já teria me metido num acidente se não fosse por elas — os motoristas de Hong Kong não param pra você passar ou atravessar e acham que a prioridade é sempre do carro. Ainda assim eu me sinto mesmo é presa, cercada por gente, concreto e grades de ferro de todos os lados.

“Se essa rua fosse minha…” eu mandava todo mundo acelerar o passo e parar de apreciar a própria tela do celular. O que NY fez comigo?