Sem luxos.

A maior concentração de anúncios que eu já vi na vida. Em Mongkok.

Hong Kong é um lugar engraçado. Antes de eu me mudar pra cá, um dos meus melhores amigos me passou o seguinte dado estatístico: a maior concentração de lojas da Chanel fica aqui. Eu não cheguei a ficar chocada, afinal eu não conhecia a cidade então ficava difícil de visualizar. Não dei muita atenção.

“Maior concentração de…” é uma frase comum de se ouvir em Hong Kong: Vai desde o número ridiculamente alto de moradores por m2, de lojas da 7/11 por quarteirão até de bolsas da Longchamp por vagão de trem (eu diria que uma média de 5 por vagão na hora do rush). Hong Kong é pequena, apertada e tudo aqui é muito: muito cheio, muito caro, muito barato ou muito pouco.

Eu nunca tinha visto tantas lojas da Rolex na minha vida. Ou da Burberry. Ou tantas mulheres com bolsas da Cèline. Ou tantos Porsches, Masserattis e afins. Acho, inclusive, que aqui foi o primeiro lugar em que vi uma loja da Aston Martin. O chão do prédio em que trabalho reflete o vermelho das solas de sapatos Louboutin. A marmita é levada numa sacola de compras da Dior. Eu me sinto completamente fora do meu ambiente.

Faz refletir: que luxo é esse que se busca em ter o que (quase) todo mundo tem? Um Rolex ainda é um Rolex se ele não é mais tão exclusivo?

Enquanto isso, dentro de casa, falta espaço para as caixas de sapatos franceses e italianos. Os apartamentos pequenos e velhos são o oposto da vida exterior do Hongkonger. Isso quando ele sai da casa dos pais: é normal ver profissionais bem-sucedidos, bem vestidos, frequentadores das festas mais badaladas da cidade, morando com os pais até os seus trinta-e-poucos anos. Fato curioso: não é incomum ver Instagramers super descolados postando seus #LookDoDia do quarto dos pais (dá pra sacar pela decoração). Lógico que muito disso pode ser explicado pelo preço ridículo dos apartamentos daqui, mas um tanto também é uma questão de prioridades: Bolsa de marca > sapato de marca > roupa de marca > casa própria.

Eu, como boa pessoa caseira que sou, sofro tentando encontrar um canto pra chamar de meu com pelo menos duas bocas de fogão e uma geladeira ao invés do frigobar - o que há de mais luxuoso em Hong Kong!