Livros Certos em Momentos Errados

Passaram “A Cartomante”, de Machado de Assis, como leitura obrigatória para o meu primo de 11 anos. Por mais que acredite que temos que conhecer nossos grandes autores, e todos os gênios literários do mundo, não existe quem me faça entender como um professor obriga uma criança a ler um texto como esse, para o qual ela inegavelmente não está preparada.

A discussão é velha, a maioria dos leitores de ficção contemporânea e de fantasia comenta, os blogueiros literários ao redor do país também. Nada muda. Os anos vêm e vão e continuam obrigando crianças e adolescentes a lerem livros que ao invés de aproximar o jovem da literatura, afasta.

Não interessa quão interessantes, importantes e inteligentes os clássicos sejam, quando você ainda é muito novo e sem bagagem intelectual, emocional e moral todas as qualidades presentes nessas histórias de nada adiantam. São apenas folhas de papel contando uma história que não lhe chama atenção.

O triste é que muitas vezes o jovem cria um bloqueio tão grande por conta dessas leituras obrigatórias, que acaba não se interessando por conhecer livros incríveis e que o agradariam se desse uma chance. Tudo porque passou a acreditar que ler é uma tarefa chata, cansativa. Não encontrou nenhum tipo de prazer. E todo bom leitor sabe que existem livros para todos os gostos.

Sou uma grande leitora de clássicos. Amo Shakespeare, Jane Austen, Eça de Queiroz, Victor Hugo. Alguns dos meus livros favoritos foram escritos pelos escritores citados. Histórias que li e reli. Só que tive a felicidade de conhecer os quadrinhos da Turma da Mônica, os contos de Grimm, a coleção Vaga-Lume da Editora Ática antes de me aventurar por leituras mais densas. Li Harry Potter, pude me encantar com os mistérios de Ágatha Christie. Não comecei lendo Kafka nem Dostoiévski (ainda bem!). Isso não seria justo comigo nem com eles. Ler um livro incrível em um momento errado pode fazer com que a experiência seja terrível.

As escolas precisam mudar isso. Deviam começar a dar aos seus jovens leitores livros propícios para eles. A literatura está repleta de bons títulos para todas as idades. É uma pena que enquanto eu estou aqui, escrevendo essas palavras, alguma criança ou adolescente está começando a achar que ler é uma atividade chata, coisa que definitivamente não é. Ninguém precisa ser um leitor compulsivo, mas faz bem para a vida ser pelo menos um leitor ocasional. E tudo seria mais fácil com a ajuda das escolas.