Inércia na sua Sala de Aula: Repouso ou Movimento?

Inércia. Seu conceito na física corresponde à propriedade da matéria que faz com que ela resista a qualquer mudança em seu movimento. Resistência. Queremos ficar do jeito que estamos. Tendência natural. E todo dia nessas férias que acordei pensando em ir fazer uma caminhada, dar uma corridinha de leve, meu corpo queria ficar onde estava, inerte. E a cabeça maquinando subterfúgios vis para o boicote final. Tá muito nublado, muito sol. Estou andando muito, o corpo precisa de descanso. A ladainha de desculpas super esfarrapadas que criamos todos já conhecem. Tudo para ficarmos onde estamos, imóveis, quietinhos, mesmo sabendo que uma caminhada gloriosa com paisagens incríveis nos espera.

@Jonathan Pedlenton, Unsplash

Mas toda vez que pensei em me render à primeira lei de Newton sobre um corpo em repouso, me lembrava da sensação boa de caminhos alternativos, de ver gente diferente, de escutar um playlist especial que preparei, da adrenalina, do sentimento de felicidade e positividade. Parece que depois de uma boa caminhada, tudo é possível. Podemos fazer o que nos determinarmos a fazer de nossa vida, estando sob o efeito de uma química especial em nosso cérebro, que por sinal, é o mesmo tipo de sensação que sentimos quando estamos aprendendo. E é exatamente aí que quero chegar.

Será que nós, educadores, ficamos inertes, mantendo o status quo para que as coisas continuem como estão. Já temos as aulas preparadas, o plano de aula feito. Não há razão para mudar o estado das coisas. É como aquele meu estado antes de sair para o exercício. É mais fácil nos convencermos de que tudo está bom como está. Talvez no ano que vem eu mude porque nesse já tenho muito o que fazer. Ou isso realmente não é pra mim. Só que quando saímos, tiramos as desculpas e encaramos a caminhada, deixamos o pensamento inerte e nos colocamos em movimento, a coisa não pára. Nos sentimos vivos, entusiasmados, aprendendo novamente a sermos relevantes em um outro contexto, com outros alunos, sem uma fórmula fechada, imutável de aula. Passamos a entender que uma outra faceta da lei da inércia é que se o corpo estiver em movimento com velocidade constante, ele continuará neste estado de movimento. E é isso que vejo acontecer ao longo dos anos com educadores que acabam resignificando suas profissões, voltando a ter o prazer de percorrer caminhos inexplorados. Vejo o brilho de volta nos olhos, o aprendizado contínuo, o movimento constante.

Eu descobri que no movimento me reinvento, repenso, refaço, remixo. É algo que exige esforço e determinação constantes. Preciso estar alerta para não parar.

E você de que lado da inércia vai ficar, a do repouso ou do movimento?

crosspost no blog http://carlaarena.com/inercia