
O 91º aniversário
Ontem, dia dezenove de julho, a minha avó materna completou 91 anos de idade. Ela é a única dos meus avós que ainda está viva e, além disso, foi a que teve a graça de chegar mais longe nos anos de vida. Assim como a morte, aniversários também me fazem refletir sobre o sentido da vida, sobre viver em plenitude, sobre o tempo que passa. Diante do 91° aniversário da minha avó refleti sobre suas qualidades e cheguei à conclusão de que uma das maiores peculiaridades da Dona Iole Vergínia Feltrin Fin é a sabedoria. E isso comprova o famoso dito popular que diz que os idosos são os mais sábios dentre os seres humanos, pois eles têm experiência de vida. E é isso mesmo! Ainda que o corpo enfraqueça e, talvez, a memória fique mais relapsa, as pessoas mais velhas são as melhores no discernimento sobre o conhecimento das situações da vida. Quem convive com pessoas idosas sabe muito bem do que estou falando, dessa perspicácia e entendimento das coisas.
Voltando à minha avó… A Dona Iole é enferma, não caminha mais e depende das pessoas para fazer muitas coisas rotineiras. Porém, apesar disso, ela continua lúcida, alegre e muito fervorosa na fé. No início de sua enfermidade ela sofreu um pouco para aceitar o fato de não poder mais caminhar, e na verdade até hoje, se ela pudesse realizar mais um sonho, ela gostaria de voltar a andar ou de andar apenas mais uma vez. Lembro-me de, no início dessa nova fase, ela pedir incessantemente pelo andador dela porque ela queria ir sentar na cozinha ou andar pela sacada para pegar o sol da tarde que ela tanto gosta. Nós sabíamos — e sabemos — que com a idade dela, na situação em que ela estava, humanamente, andar não seria mais possível e respondíamos que “depois” faríamos o que ela estava pedindo. Lembro-me do pedido “pega o cavalinho, de querida, quero tentar ver se consigo caminhar” tantas vezes feito na sacada da casa da minha mãe ao som da construção daquele prédio que a Dona Iole tanto acompanhou e comentou “que barulho! ”. O pedido era atendido e o brilho no olhar da minha avó em ficar em pé segurando no seu companheiro fiel de anos e em ouvir que ela ia ficar boa e voltar a andar enchia-nos de emoção.
Assim o tempo passou e através do “depois” e do “a senhora vai ficar boa e voltar a andar” que foram tantas vezes respostas aos seus pedidos no período de aceitação da enfermidade a vó entendeu e aceitou, com alegria e com aquele riso lindo que só ela sabe dar, a condição de não poder mais andar. E aceitar o que nos acontece é muito importante. Acolher e consentir com nossa verdade é indispensável para que alcancemos a plenitude na vida.
Essa talvez seja a tempestade diária da vida da Dona Iole: ter que depender das pessoas para levantar da cama, para comer, para tomar banho, para sentar-se. Mas, ainda assim, ela vive bem, é feliz e esbanja sabedoria em seus conselhos e naquilo que fala. Ainda assim, na sua tempestade diária, a vó Iole tem um coração puro, humilde, sereno e muita, mas muita vontade de viver. E tudo isso porque ela acredita em Deus e acredita que Ele está à frente de tudo, até da sua enfermidade. Ela encontrou o sentido de vida dela e segue sorrindo, mesmo na tempestade, mesmo que se agite o mar.
E você, encontrou o sentido da tua vida?
#VamosFirme!
Colaboração: Laura Bagnara
Querida Vó Iole! Feliz Aniversário! Minha prece a Deus por ti para que tu continues sendo essa avó exemplar e carinhosa, esbanjando alegria aos nossos dias através do teu riso e do teu olhar. Peço ainda que Ele renove em ti a esperança, serenidade e a fé. Te amo muito! Parabéns!