04/09/2017
Meu avô, Líbero Ripoli Filho, ator, diretor, assessor, artista plástico e escrivão. Um homem de muitas facetas, não foi à toa que se dedicou ao teatro, lugar onde podia expressar todas elas. Carinhoso, mas rígido; era sábio quando não era irresponsável (vide as loucuras que fez durante a vida); doce e genioso (apelidado carinhosamente pelos filhos de “O incrível Hulk” quando ficava bravo). Filho de jornalista preso durante a ditadura, e acho que foi por isso que cresceu assim, insubordinado. Sempre extrovertido e alegre, menos quando o São Paulo perdia (nessas horas era melhor nem chegar perto). Tirava sarro de tudo e de todos, nem adiantava se esquivar de suas piadas. Me ensinou a andar de bicicleta me empurrando e dizendo “anda”. Aprendi com suas peripécias que não há problema em se aventurar mais e ser menos séria. Me ensinou os truques das palavras cruzadas e poesia. Mas o mais importante, me ensinou que a vida deve ser vivida a cada pedaço, e cada pedaço, ainda que pareça mínimo, deve ser vivido plena e intensamente. A cada vez que nos encontrávamos me recitava um novo poema, mas acho que o mais marcante (o qual, inclusive, se tornou o nosso cumprimento) foi Fernando Pessoa “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E, coincidentemente, não há frase que defina melhor a vida de meu avô.
