Mães e pais – continuem compartilhando com os amigos mil fotos dos seus filhos – por gentileza.
Sempre gostei de crianças. Mas tenho gostado muito mais depois de adulta – talvez por ter que lidar com mais adultos, suas complexidades e estranhezas.
Não vejo possibilidade de isso ser apego ao passado. Tem a ver mesmo com energia.
Crianças transmutam energia dos ambientes.
Tenho tido experiências de lidar com adultos potencialmente ansiosos e bem estressados sendo quebrados por crianças quase enfeitiçadoras, que os conquistam em minutos.
Algo de muito precioso acontece com os ambientes, virtuais ou não, quando há a presença de uma criança – na maioria das vezes pela qual já nutrimos algum afeto ou, por sorte, de uma desconhecida qualquer.
Os bebês das mulheres que mais amo são um caso ainda mais gostoso de ser notado.
Esse texto tá sendo escrito minutos depois de ter recebido uma foto com a legenda “já to treinando o pescoço, titia”, em que o protagonista da sapiência e sapequice está caminhando para os 4 meses de vida.
Aqui do meu lugar de adulta potencialmente ansiosa e regularmente bem estressada, posso dizer que os minutos de notar a alegria de uma amiga mãe compartilhar momentos singelos como esse me roubam o coração.
São as notificações que mais tenho gostado de receber no WhatsApp :)
Em meio ao caos e descobertas que estão vivendo em seus primeiros dias ou meses com suas crias, os trejeitos esboçados pelos nenens, barulhinhos, evoluções, são a recompensa daquilo que elas nem tão pedindo nada em troca – e é mais gostoso ainda ver que adoram compartilhar esse universo com gente próxima.
Tem uma neném baiana cremosissíma (adjetivo dado pela mãe, e que confirmo absurdamente) que tá aprendendo a virar o corpitcho para um lado e para o outro, no que parece ser um ensaio de locomoção. Esse vídeo foi enviado num grupo de amigos que vez ou outra fala-se de política. A melhor pauta tem sido certamente as façanhas dessa nova integrante.
Tem o neném, bonzinho, lindíssimo, de 2 anos, que interage com um cachorro E N O R M E e mata a mãe (e a tia espectadora) de orgulho.
Tem os nenens mais crescidos que já assistem série e inclusive dão spoiler à tia. Foi assim que descobri por uma criança de 8 anos de idade o final de La Casa de Papel – que, ok, era bem previsível, mas não tava no script sabê-lo por alguém que eu julgava mal saber o que era Netflix.
Tem a neném de 2 anos que ouve “faz pose de foto”, e ela vira a cabecinha para o lado s o r r i n d o – materializando uma das cenas mais gostosas de assistir.
Ainda tem o caso da neném que mora na barriga da mãe e já gera expectativas imensas, sendo vista só por fotos de perfil da mãe que anuncia “já to aparecendo, titios”. E aquela leva de adultos se derretem – não no automático, só seguindo o fluxo – mas um negócio de verdade mesmo.
Amor, carinho, explosão de fofura reciprocamente. Fica todo mundo abobalhado. São recortes das rotinas (por vezes bem pesada) de quem está sendo mãe, sendo doados aos amigos como presentes riquíssimos, que aliviam as já citadas complexidades e estranhezas da vida adulta.
Que os feeds monotemáticos sejam vividos livremente pelas mães e pelos pais apaixonados. A gente só agradece.
Fiquem com essa foto, da protagonista de 28 dias de vida, que veio com a legenda:
“Poderíamos dizer que isso é um sorriso?”

Eu respondi que sim :) e um dos mais lindos desse mundo.
