deixar você

seu nome deveria ser acalanto
todas as vezes que deitei no teu peito-mar,
calmei.
e eu, que nasci filha de orixá de terra,
sempre aguava.
quando velejava seus olhos d‘água ,
tirava a minha armadura
com você estava segura,
mesmo sendo a primeira viagem
o cinema
gozo
os silêncios à dois
você me desarma
t
o
d
a
quando minha parte mais frágil vinha
você dizia
“calma jovem, tudo vai se ajeitar. É só esperar”
e em você,
eu podia ser pena
leve, livre… dona do meu voar
uma pena
uma pena que eu não posso te esperar
mas eu tentei, muito, te nadar.
nessa correnteza turbulenta,
bracei bracei bracei
(não se esqueça nunca que eu tentei)
mas não cheguei em lugar nenhum.
então,
vou à terra firme, o meu lugar
e o lugar de quem cuida de mim.
sinto os grãos de areia nos pés
em breve
me banharei de outros sóis
ainda irei admirar
o vai e vem da tua imensidão.
eu acho que parte de mim te amou
por isso,
vou torcer
muito
para que a próxima
não se afogue no seu azul.
vou torcer
muito
para que seu corpo
deixe de ser
tormenta
e vire paz.
Vamos seguir / Reinventar o espaço /Juntos manter o passo / Não ter cansaço / Não crer no fim / O fim do amor / Oh, não / Alguma dor / Talvez sim / Que a luz nasce na escuridão — Deixar você, de Gilberto Gil