A grandiosidade

A grandiosidade é banal,
banalíssima
belas são as miudezas
fazendo nos pelos dos braços
um arrepio de dor:
quase nada, só um pouco
rastejante, murmurante
tal e qual uma gota
do seu mar na minha pele
ou a varanda de casa
ou as mangas no quintal
ou a lua
ou a mãe
ou a primeira oração
Quase nada,
uma carícia,
intensa como a vontade
desconhecida de deus:
um travesseiro,um esmalte,
as lágrimas de um bebê
minha saudade doída
e o meu primeiro amor
um vazio
um rastro
um rasgo
um milhão de impossíveis.

A grandiosidade é banal
banalíssima
belas são essas folhas
que se desprendem da mãe
e cruzam o infinito
deixando um pouco de nada
e nada mais carregando.

A grandiosidade, meu bem,
é banal.
Banalíssima.

Carla Carrion