Cuidar

É abrir os braços
para alcançar miudezas -
ternuras finas que o outro não vê
quando a dor agiganta profunda
e marasma o coração de fadiga

É preparar a escuta
como quem prepara um bálsamo
pois que ao outro
- exausto -
deve ser dada a chance
de antes dizer
que ser dito
e, por própria e inalienável vontade, 
silenciar
em lugar de ser forçado
a desastrosas confissões

É dar tempo ao tempo
fazer distância de amor
estando sempre pronto a retornar
quando convidado

É respeitar a vida
e dar espaço
para que as infinitas mortes
(nascidas n´alma)
se reinventem adubos
de singulares florescências

É ser um pouco do outro
e outro tanto de si mesmo
descobrindo no entre
o tempo inexato
da renovação

Carla Carrion