Como você deseja?

E se a gente observasse como as crianças desejam?
Que tipo de desejo é esse que brota no olhar, no corpo, na criança inteira, não quando ela cobiça, mas quando tem uma ideia?
Não é o mesmo tipo de desejo que os anúncios, mesmo os mais coloridos, lhe invocam.
Não é o desejo do que lhe falta. Não é desejo que nasce de uma carência real ou fabricada.
É desejo do que é tangível, mesmo que inexistente, porque pode ser inventado.
Quando a criança entra em uma caixa de papelão e a dirige, não é porque ela queria um carrinho que não tem. O carrinho não estava lá antes dela ter essa ideia. Ela não sentia sua falta, ela não precisava de um brinquedo, ela inventou um. Que já não será o mesmo quando sua imaginação, desejo ativo, lhe der outros usos. O carrinho vai virar armadilha de passarinho, cabana, escudo, skibunda.
São diferentes qualidades de desejo que nos fazem passivos ou ativos.
E isso não diz respeito à criança. Não a essa criança que a gente deseja pela falta de futuro que a gente sente, um futuro prometido que nunca se cumpre. Essa criança não existe, o que existe é vida pulsante, que pulsa além do tempo cronológico, que cria o tempo e o submete ao seu pulsar.
Enigma, pergunta-lente para desver o mundo: Qual é a qualidade do seu desejo?

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