Uma conversa entre Carla e Marguerite em 26 de janeiro de 2016

- é um estado prático, estar perdido: é então que vemos
- não é possível deixar pra lá
- é muito perturbador, o significante está em toda parte. escrever é não dizer nada. um escritor é mudo. é impossível falar em um livro
- em quem lê dão-se vagas ideias
- é preciso perder as referências. escrever é sempre em desespero
- é tornar o impossível concebível, mas também o possível inconcebível
- tem isso num livro, essa solidão do mundo inteiro. que invade
- e se inscreve
- a verdade é que o escritor não faz nada
- escrever é uma maneira de existir, não de fazer. um livro é apenas o seu prolongamento desconhecido
- ninguém sabe o que é um livro. cada livro, como cada corpo, tem passagens difíceis, incontornáveis. e é preciso deixar esses erros para que seja verídico
- quando explico, tenho a impressão de estragar o livro
- sim, o entusiasmante são os erros magníficos. há livros muito higiênicos, muito limpos. como classicismos, banais… sem risco. há escritores assustados, que contam as tiragens. que querem ser compreendidos. escrever é correr sérios riscos. inevitáveis. podemos escrever quando olhamos uma mosca agonizar. ali tudo está descrito
- bastaria copiar? ou é mesmo preciso agonizar?
- agonizar. e demolir a gramática