ESSA NÃO É MAIS UMA CARTA DE AMOR
Acho que todos devemos ser otimistas. O fundamento do amor é o otimismo. Se você não acredita no amor, esse texto não é para você. Mas se você, como eu, é crédulo, leia, acredite.
Eu ainda acredito.
Passei por pelo aprendizado do primeiro amor, abstinência de família, de amigos. Adolescente, sem experiência, sem parâmetros. Não sabemos o que queremos, logo, não sabemos o que vivemos. No fim, só temos a certeza de que não é o que queremos para a vida como companheiro, como futuro. Acredite, se for legal, vira amizade… no meu caso, virou. (sorte a minha)
Parti para o segundo, com abstinência de carinho e muito de material. Tive muito de nada e pouco de tudo. Por mais legal que pareça, não é. É vazio, é nulo, não sobra nada depois que se vai.
Tive um coveiro, sugiro todas terem sempre, e que entendam que é somente um coveiro. Não é amor e nem será… Não se apaixonem. É só pra enterrar um defunto que não fedeu nem cheirou na sua vida, mas no fim fez diferença pra mostrar o que você realmente quer.
Daí ele vem, O AMOR, junto com a maturidade… Já tinha mais de 26 anos… e ainda não me achava mulher o suficiente, por mais que todas as minhas amigas já fossem casadas, mães.
Sem querer. De onde menos se espera. Lá do escuro, de um lugar de sempre, só uma frase “mostra o meu jeitão pra ela”, me soou interessante… muito mais do que eu queria que soasse… Despretensiosamente me despertou, me encantou. Uma barba estranha, com bigode juvenil… Logo eu, calejada com o passado e ainda tão jovem, com tantos amigos galanteadores e tantos outros oportunistas. Eu sabia de todas as armadilhas…
Cai nessa. À primeira vista, às escuras. Segui.
Foi um primeiro encontro incrível com tantos prós e contras, com sutiã aberto e parabrisas falhando. Nada demais, mas durou, lá se foram 06 anos… Logo eu que sempre sonhei em casar (opa, esqueça a convenção de véu e grinalda na igreja, digo simplesmente em morar junto, dividir a privada, o chuveiro, o leite… só queria -e ainda quero- dividir a vida), namorei a distância.
Ele, cheio de voltas, oratórias, construções gramaticais, jornalista, escritor, galanteador, amoroso, carinhoso, cuidadoso, envolvente.
Eu, direta, dependente amorosa, independente na vida, carinhosa, cuidadosa, influenciável, MAS planejadora e bem calejada.
Nos entendemos, nos encontramos, nos amamos, nos confidenciamos… por 06 anos.
Mas, ah… sempre tem um mas… , se tudo fossem flores, abriríamos uma floricultura e venderíamos flores à todos os amores… Sempre temos espinhos… Não podemos fechar os olhos para eles.
As vezes olhamos, nos machucamos, mas arrancamos e ignoramos. Achamos que nunca mais eles nos machucarão…
As vezes olhamos, analisamos, questionamos e nos enganamos… fingindo não ser um espinho… toleramos, mas não esquecemos… pois eles continuam a nos cutucar.
Quando, por fim, não toleramos mais. Quando a água do vaso acabou faz tempo e o outro não se importou em regar… quando você não quer mais ser regada por mentiras.
Parece isso familiar? Para muitos, com certeza.. . eu demorei… 06 anos para ser mais exata.
Primeiro para entender, depois para descobrir… ah, sim, você descobre coisas que não queria… não queria mesmo… traição, enganação, exposição desnecessária…
Demorei para entender que eu estava cansada de regar, mas ele procurava outras fontes para se abastecer, mas quando o bicho pegava… era pra raiz que ele recorria… eu.
Decidi não ser mais a raiz do que não me sustentava… nem mais emocionalmente… nem mais de forma alguma…
Me senti usada, mal-tratada, exposta… sem direito a resposta, sem poder falar que não concordo com isso… logo eu, fiel até aos segredos dos flanelinhas de São Paulo…
Nesse momento entendi: dependo de alguém, dependo emocionalmente de alguém, mas definitivamente não será ele, ainda é…
Dependo de alguém para bater o cotovelo e dizer “viu isso?!” e rir… e me divertir… definitivamente ele não é o único que pode me oferecer isso…
Sou otimista. Já disse isso antes.
Não importa o quanto a humanidade insista em cagar na minha cabeça, continuarei o meu caminho. Nele, existem retas constantes, mas também muitas curvas que farão de mim uma pessoa melhor… ou, pelo menos, mais experiente… por que no fim, tudo vai dar certo.
Sem ele, certamente.