Ayer e a galera de rolê ruim

Já dizia o esperto, cuidado com a burra.

Após a trágica perda do Superman o mundo não pode arriscar que o próximo meta-humano seja uma ameaça. Esquadrão Suicida é o nome dado para equipe de degenerados perigosos de Amanda Waller (Viola Davis) que nos “salvara” dessas ameaças, com o bônus de não precisarmos nos importar com a sua segurança — e podendo culpá-los por todos os danos.

Se a premissa de The Dirty Dozen não é nova, muito menos surpreende as decisões da Warner.

Formação preocupada em deixar todos bem à mostra.

Comandado (e roteirizado) por David Ayer, o filme de vilões da DC mais parece um clip de apresentação dos personagens de duas horas. A trama que cerca o descontrole de uma integrante do esquadrão é cheia de situações truncadas e muitas vezes desnecessárias, o que faz do roteiro o principal problema do filme.

Tentando em parte se solidarizar com Ayer, sobre a pressão de correr atras do osso largado por Zack Snyder, o filme parece ter sido desmembrado, e ao mórbido estilo Ed Gein usado como bem entenderam, onde talvez nem fizesse sentido. A montagem chega ao ponto de ser repetitiva, alem de confusa, colocando os personagens muitas vezes para narrar o que já estamos vendo em tela.

Mas nem a truculência desesperada do estúdio é capaz de livrar toda a culpa do diretor.

Esquadrão Suicida é o plot Édipo da DC, Amanda Waller decide criar o grupo para se proteger da, profética, ameaça meta-humana, porém, perde o controle de suas decisões — muito rápido por sinal — e causa a propiá desgraça.

Desgraça essa que se inicia na apresentação da personagem June Moon (Cara Delevingne), que é possuída pela entidade Magia. Cara faz a integrante mais desencontrada e sem nexo do universo cinematográfico dos quadrinhos. Tomando decisões duvidosas, como quando a arqueóloga decide torcer um artefato — histórico, inestimável — ao ponto de quebrá-lo como uma criança que brinca com bonecos.

E este é o roteiro final do filme, pessoas que fazem decisões ruins e estúpidas.

Quanto aos personagens, que devidamente integram a equipe título, temos um “saudável equilíbrio” entre os toleráveis e as ações forçadas.

Despontando como o único personagem bem colocado e crível — desconsiderando o “paraíso bela-recatada-do-lar” — é a Arlequina de Margot Robbie, que encontrou a personagem de maneira surpreendente. Um misto imprevisível, divertido e traiçoeiro equiparável ao Jack Nicholson em Batman (1989).

Will Smith foi atrapalhado pelo próprio complexo de estrelismo/herói. A começar pela máscara do Pistoleiro, completamente aleatória, que precisa ser retomada de tempos em tempos para lembramos que ele existe nos quadrinhos. No final, o ator não pôde nos privar de seu rosto para fazer um personagem conhecido por seu “olho mecânico”.

Waller (Viola Davis), Rick Flag (Joel Kinnaman) e Capitão Bumerangue (Jai Courtney) refizeram interpretações usuais, Viola trouxe Annalise (de How to Get Away with Murder) para a politicagem de Washington, Kinnaman reviveu The Killing e RoboCop e Jai elevou o humor fácil de Die Hard. Não é negativo, é confortável.

O resto dos personagens oscila entre bregueces e aceitáveis. A falta de tempo em tela impede qualquer julgamento, mas é preciso dizer que não faz falta.


No desfecho, a ameaça poderia ser evitada desde o início, Cara Delevingne entrega o pior desempenho, pouco por parte do roteiro, a “reviravolta emocional” de Rick Flag com os componentes é estranha, os estrelismos desvirtuam e detalhes incomodam, bastante.

Porem os personagens são culturalmente interessantes, a nostalgia ataca e os gracejos aos fãs são até louváveis — nada capaz de te fazer esquecer a dancinha vergonhosa da Magia, ou o celular que circula pela cara de todo comando tático do exército americano nas mãos dos criminosos, mas sim, capaz de criar uma atmosfera divertida e empolgante.

Com uma trilha energética que circula de Kanye West até Bee Gees e Queen, com efeitos de luz interessante e primeiro ato acima da média, Esquadrão Suicida é a muleta perfeita para, quem sabe, introduzir o novo universo Batman.

Classificação: ✮ ✮ ✩ ✩ ✩ (Regular)

Esquadrão Suicida entrou em cartaz na última quinta (04). E segundo o Box Office Mojo é especulado que faça 145 mi no primeiro fim de semana.

Confira o trailer:

Ps: O Coringa de Jared Leto está todo picotado, o que sobra do personagem além dos flashbacks são cenas gangster de negociação atrás do paradeiro da Arlequina. Mas assim como os outros, o pouco tempo em tela não faz querer mais — apesar da insistência em criar um pequeno enredo que não leva a nada, por pura chatice do ator.
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