Quando a TI é tão ruim que provoca fuga de talentos

Carlos Demetrio
Sep 5, 2018 · 4 min read
I am an IBM 3278 Terminal — Collection I am a Computer, by Docubyte (James Ball)

está bem batido o discurso de como o de RH se beneficia de uma TI eficiente: um melhor processo de onboarding (a parte de divulgação de uma vaga, seleção, contratação e a burocracia envolvida), empoderamento do funcionário, mais ferramentas de autosserviço e assim por diante.

Surgiu até o termo Digital Employee Experience (ou DEX) para se referir à jornada do funcionário em uma organização, bem na linha do Customer Experience e da Jornada do Consumidor.

Os funcionários não confiam no CIO

E na prática? Um estudo bem recente do Gartner indica que menos de 50% dos funcionários acham que o CIO da empresa onde eles trabalham tem ideia dos problemas de tecnologia que eles enfrentam no trabalho. Essa avaliação vale tanto para funcionários dos departamentos de TI quanto para os demais.

Apesar de ser uma área vital, a TI não é a maior área da empresa na maioria dos casos (exceto nas empresas de TI, naturalmente). E são justamente estes funcionários não-TI — o core da maioria das empresas — que são os mais insatisfeitos com os computadores que recebem para trabalhar (41% deles estão plenamente satisfeitos com seus equipamentos, enquanto 59% dos funcionários de TI estão satisfeitos com os deles).

E quando se trata dos millenials — e eles também trabalham fora da TI, por sinal — há mais um dado relevante: 26% deles usam aplicações que não foram aprovadas pela companhia, não para diversão, mas para trabalhar melhor e colaborar com seus colegas.

Mas isso é um problema realmente sério?

Esse é o outro impacto da TI no RH: Ela pode ser uma das principais causas — se não for a principal causa — da saída de talentos da empresa.

O relatório The New Digital Workplace Divide considerou entrevistas de 12 mil funcionários em 12 países (inclusive no Brasil) e mostra que funcionários de organizações com tecnologia defasada têm probabilidade 1600% maior de se sentirem frustrados e são 1300% mais propensos a pensar em desistir do emprego e a quererem trabalhar em outro lugar.

Isso significa que o nível de satisfação ou frustração dos funcionários com seus empregos é diretamente afetado por coisas como o computador que eles tem, o programa de email, o software de VPN, o celular corporativo e — principalmente aquele famigerado Sistema que eles tem que usar no dia a dia.

Se estas ferramentas estão obsoletas, são lentas ou se tem uma interface pouco amigável, o funcionário as perceberá como obstáculos à sua produtividade e se sentirá frustrado. Principalmente se ele for um funcionário de outras áreas fora da TI.

Uma quantidade considerável de pessoas está pensando seriamente em mudar de emprego porque o notebook do trabalho é lento, porque não pode ler o email da empresa no iPhone pessoal, porque não pode trabalhar de home office de vez em quando, porque o escritório não tem uma impressora multifuncional ou porque o sistema corporativo que ele usa o dia todo é um pesadelo.

Uma outra pesquisa de 2016, feita pela Censuswide e patrocinada pela Samsung, entrevistou mil pessoas de pequenas empresas no Reino Unido e identificou que 10% dos entrevistados pediram demissão porque estavam frustrados com a tecnologia que tinham para trabalhar.

A responsabilidade do CIO não se restringe a segurança da informação, infraestrutura, disponibilidade do negócio. Suas ações impactam até a competitividade da companhia em termos de atração e retenção de talentos, em todos os níveis da organização: aquele adiamento no plano de troca dos computadores da empresa pode até parecer uma economia de dinheiro em um primeiro momento, mas vai significar uma perda muito maior para a companhia.

Algumas empresas estão usando esta dinâmica a seu favor. Computadores modernos, tablets e smartphones de última geração já são apresentados como benefícios para atrair talentos — ao lado de férias remuneradas, plano de saúde e uma cultura de aprendizado. Como neste exemplo, da KonradGroup:

Screenshot from www.konradgroup.com/careers

A TI não precisa estar alinhada ao business. Tem que fazer parte do business.


Publicado originalmente no meu LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/carlosdemetrio

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Carlos Demetrio

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