Um pouco da minha experiência com Red Dead Redemption

Lembro que no período de minha infância a temática de velho oeste americano, cowboys e coisas desse tipo não me interessavam muito, achava tudo meio chato, não muito cativante e até algo bobo às vezes, por infortúnio nunca me apresentaram na época os filmes com Clint Easatwood com seu olhar mortal de águia e maestria em meter o dedo no gatilho.

Clint

Mais tarde, quando estava no que chamam de adolescência, tive uma revista de Xbox 360 que continha uma prévia de um tal Red Dead Redemption que se ambientaria no velho oeste, até então pelo o que notei ali era uma sequência do legalzinho jogo de ação Red Dead Revolver, seria mais um projeto nas mãos da destemida Rockstar, por confiança na produtora que trouxe tantos títulos marcantes e pela matéria bem chamativa em duas páginas resolvi ler o que esse jogo de velho oeste poderia proporcionar. Fiquei anestesiado com todas informações descrevendo aquele futuro amontoado de pixels; tudo aparentemente confirmado, tantos detalhes, tantas possíveis oportunidades, afazeres, num mapa aberto a seu dispor para ser experienciado na pele de um fora da lei com seu cavalo e chapéu. O meu leve desinteresse pela temática foi ali se apagando enquanto vislumbrava um possível jogo “viciante”, mal sabia que o negócio iria mais longe do que isso na minha experiência.

Não demorou muito tempo para que o tão almejado RDR fosse lançado e também que estivesse uma cópia sua em minha posse, me colocando no comando e paralelamente também na posição de um simples espectador entusiasmado com a trajetória de redenção de John Marston.

Ele mesmo o Jão Marston

Resumindo bem, o enredo do negócio trata de John, um ex-fora da lei que atuava em uma hostil gangue que não demonstrava misericórdia durante seus saques hediondos, cavalgando num misto de caos e prazer pelo vale das condições mais primitivas do ser humano. John e uma até então prostituta do grupo, Abigail, se envolvem emocionalmente, ela engravida. Isso acaba funcionando como estopim para que saíssem de todas condições decadentes e iniciassem uma subida na escada da auto-redenção do ser. Entretanto, anos depois a família Marston entra nos planos do FBI, que sequestra Abigail e Jack — o filho do casal já adolescente — para persuadir John, forçando-o a partir numa caça aos seus principais ex-colegas de sua antiga gangue desmantelada com o tempo.

“Remember my family”

Todo o novo caminho a ser percorrido para ter de volta as pessoas que desenterraram suas mais honestas e puras virtudes e o fizeram um novo homem, sua família; com certeza seria coberto de muito sangue e corpos mutilados, mas também com muito aperfeiçoamento próprio em vários aspectos. John desbrava muitos lugares, faz amigos, conhecendo inúmeros tipos de pessoas com personalidades, valores e visões diferentes, entendendo o verdadeiro mini universo que um indivíduo apresenta externamente, sendo eles positivos ou negativos de acordo com sua perspectiva. O jogo propõe a ideia de livre-arbítrio para o jogador, podendo agir conforme queira, um “que nem GTA” para os mais leigos. Se quiser trucidar a população de uma cidade, roubar cavalos e cofres, faça isso, é a sua escolha, mas você sabe, não apenas sabe como sente que John não aceitaria mais nada disso pois sua índole agora sintetiza seu novo posicionamento bondoso e honrado. O antigo John Marston se foi, deteriorou-se.

O sentimento de altruísmo emana desse carismático novo herói, ele não se incomoda em ter que ajudar a libertar uma localidade e seus inocentes moradores das mãos de mau elementos sanguinários, atender o pedido de uma mãe em prantos pedindo para procurar o filho desaparecido, ou até ajudar um senhor a colher flores para sua esposa morta. Essa grande aura envolvente que sempre aumenta talvez proporcione situações em que você cometa algum deslize e alveje sem querer um transeunte qualquer, e logo em seguida dê load no último save, para desfazer a burrada e não manchar o trajeto de um homem num longo processo de libertação e evolução.

Toda boa vontade de John é transmitida com convicção, faz você se sentir um companheiro dele e torcer para que sua jornada dê certo, que alcance seus objetivos simples e nobres. O ex-renegado deseja apenas poder viver em harmonia e simplicidade com sua família numa pequena fazenda e protege-los, ser pai e marido de fato, algo que seu antigo eu nunca conseguiria. Não importa o que aconteça ou o que venha incomodar, essa é a principal satisfação que ele pode ter como recompensa por ter escolhido se livrar do passado assombrado e seguir o difícil percurso de redenção, de alcançar um novo modelo de Ser, um espírito em estado de grandeza que o faz se sentir vivo de verdade.

Pequena demonstração pessoal sem spoilers do motivo de RDR ser um dos meus jogos favoritos e John Marston um personagem tão admirável.