Uma volta pelo grupo do bairro no Facebook

Você já teve o interesse em dar uma navegada pelo grupo do seu bairro no Facebook?

No meu caso, eu moro há pouco tempo no meu bairro e sempre tive interesse em conhecer melhor as redondezas com dicas de bares, serviços, curiosidades, vendas e história. Esses eram os assuntos comuns até há pouco mais de um ano e meio, mas com a explosão da crise institucional aqui no Rio de Janeiro, o tema da violência tomou conta e o grupo ruiu.

Todos os dias temos abundantes relatos de crimes: uma foi assaltada saindo de casa para passear com o cachorro, outro teve o carro roubado por homens armados na esquina de casa, mais uma casa invadida durante a noite e por aí vai…

Outro fenômeno que pude observar foi o surgimento de grupos só para a divulgação de crimes, são os chamados “Alerta [nome do bairro]”. São de dar arrepios em quem tem um pouquinho de pânico. Ao ler o conteúdo desses grupos você tem certeza absoluta de que vivemos uma guerra civil nos arredores de casa. Não dá vontade de ir na esquina comprar pão.

Como era de se esperar, esse comportamento de relatar crimes desperta sentimentos sombrios nas pessoas, seja por medo, revolta, angústia ou puro sadismo. O ódio encontrou um terreno muito fértil para se expandir.

Alguns casos desse extremismo digital:

Caso 1: uma pessoa teve o vidro do carro quebrado durante a madrugada e postou a foto no grupo. Comentários recebidos: “Bandido se arranca a cabeça”. Recebeu duas curtidas pela pérola. “Surreal isso, é as pessoas ainda vem com esse papo de proteger bandidos. Ter que cortar as mãos!!” (SIC, SIC, SIC). Recebeu 3 curtidas pela pérola.
Caso 2: um post debatendo o que ocorreu no bairro de Vila Kosmos, no Rio de Janeiro, onde os moradores fecharam o bairro inteiro com cancelas. Comentário recebido: “… levem os bandidos pra suas casas já que os amam tanto! Quero meu direito de ir e vir, que fechem as ruas… “ ???????
Caso 3: em outro post de assalto, uma senhora clama “Que Deus tenha misericórdia de nós” e outro crava “tem que colocar o exército nas ruas para melhorar um pouco”.

E quando alguém mais sensato tenta aprofundar o debate é atacado por todos os lados, chamado de defensor de bandidos, comunista, defensor de direitos dos manos e daí pra baixo.

Ahhh também tem gente postando fotos de gatos e cachorros para adoção. Em suma, as pessoas recolhem os animais, fazem um book fotógrafico e divulgam nos grupos em busca de um lar para os “anjos de quatro patas”.

Existe uma competição feroz entre a quantidade de posts sobre adoção de animais e assaltos. Páreo duro.

Isso tudo eu vi entre uma golada e outra do meu café da manhã, quando estava ‘zapeando’ pela timeline do meu Facebook. Tenham um ótimo dia.