O que de mim, permanece.

Sou a sobra dos poemas,
Dos dilemas,
Da moral.

Sou o resto da minha genética,
Do meu pai,
Do humor descomunal.

Do café, das cervejas.
Do cigarro e tudo que um dia ainda vai me matar.

Sou o resto das cinzas,
Das manchas
e do que não consegui apagar.

Sou o que sobrou.
O restante do dia,
A quebra no mar.

É, triste? Talvez.
Depende apenas,
De como vai observar.

Pois talvez eu possa ser
Como o por do sol.

Apreciado ou
desconsiderado.

Dependendo apenas,
Do horário em que me vê passar.