Ele é meu


Conheci aquele garoto, Abel, numa noite de verão. O local era muito quente, a música soava excessivamente alta, e a meia luz das lâmpadas desorientavam ao mais experto gato. Eu estava com uns amigos. Ele uniu-se ao grupo. Tudo aconteceu quase sem querer, acidentalmente. Abel olhou para mim e eu o seduzi. Passamos uma noite incrível, uma que nunca pôde-se esquecer.

Desde aquele momento, Abel veio me visitar quase todo dia, mas eu queria que nós nos víssemos a toda hora. Ele teve que deixar de estudar para isso; a mundo acadêmico tirava muito tempo dele, muitos momentos que podia passar junto a mim. Depois percebi que ele passava tempo demais com seus amigos, por isso lhe disse que deixasse de vê-los. Abel era meu e de ninguém mais!

A partir desse momento, fomos felizes, mas Abel parecia preocupado, então lhe perguntei qual era o problema, e ele falou que tinha brigado com sua mãe porque ela pedira-lhe para passar mais tempo em casa. Eu me enfadei demais e gritei. Pela primeira vez Abel tentou resistir, mas eu sempre fui mais forte que ele e acabei convencendo-o a deixar de ver sua mãe. Eu tinha de ser o único amor da sua vida.

Então ficamos sozinhos, só nós dois, ninguém mais. Abel acabou tendo só uma coisa na vida: eu. Falou que não era feliz, e eu respondi que para conseguir a felicidade devia morrer por amor, morrer por mim. E assim ele fez; foi para o outro mundo porque não tinha nada mais neste. Ele foi meu Romeu, eu sua Julieta.

No dia seguinte, uma noite de verão, um garoto olhou para mim e eu o seduzi.

Fortaleza, 23 de noviembre de 2009
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