Para ler antes da queda de Dilma

Junto com Dilma, cairá a máscara dos que dizem atuar apenas contra a corrupção.

Ou alguém aí está disposto a ir para a as ruas para pressionar Temer?

E depois Cunha?

O cansaço já se mostra.

Cada vez mais gente diz: “Dane-se. Só quero que acabe logo”.

E ainda que tentem manter o pique, vão perceber quanto da sua capacidade mobilizadora dependia dos recursos e influência de certos grupos e pessoas chave.

Grupos e pessoas que não tem interesse em lutar contra a corrupção, mas sim tomar o poder ou aumentar sua influência junto a quem quer que esteja no poder.

Aquele que realmente lutava por menos corrupção vai se ver cansado e deixado de lado.

Mobilizar-se será cada vez mais difícil.

As ruas ficarão mais vazias.

Já consigo até ouvir o falatório utilizado para lhes segurar:

Agora será preciso dar um tempo ao governo para colocar a casa em ordem.

Ou então:

Sim, o novo governo também tem problemas, claro, mas não podemos parar o país por causa disso. Ninguém aguenta mais.

Ou ainda:

Agora será preciso priorizar o reestabelecimento da confiança para reerguer a economia.

Familiar? Pois é.

Brasília se divide entre os que fazem uso desse discurso agora para impedir a queda de Dilma e permitir que o governo tenha fôlego para fazer seu trabalho, e os que adotarão esse discurso somente quando Dilma cair.

Isso porque sua luta não é contra a corrupção, mas pelo poder.

E muitos, ainda que legitimamente indignados, atuaram como títeres destes grupos.

Caíram no conto do lobo que aponta para outro lobo e diz “A culpa é dele!”.

E por isso sua causa terminou absorvida dentro daquele jogo de poder que está aí desde sempre.

Serviram à causa de outro e sequer mortadela receberam em troca.

Pior. Talvez jamais percebam que sua causa nunca esteve verdadeiramente em pauta.

Claro que nem eu nem ninguém pode garantir que assim será.

Falar do futuro é sempre difícil, mas por enquanto não vejo razão para pensar diferente.

Torço para que o tempo mostre que estou errado e que meu pessimismo é equivocado.

Torço mesmo.

Muito.

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