A carta do músico

Opa, Meu Amigo!

Como vai você?

Me lembro que da última vez que te escrevi, faziam 8 meses que não compunha nada. Lembro que tinha te falado que tentaria de tudo para voltar e, olha, vou te falar: tentei mesmo.

Sabe que eu perdi mais de 15 dias sentado naquela cadeira que você me deu? Encarando um papel em branco, onde só brotava as minhas ansiedades e medos.

Foram mais de 25 horas meditando, tentando achar alguma inspiração ou algum insight para escrever alguma música mais profunda.

Tentei de tudo, meu amigo. Acredite.

Depois de ter achado que minha composição tinha se limitado a Wesley e seus companheiros, eu resolvi seguir o manual dos grandes: beber.

Foi aí que entendi. Quando saí para beber, sem a menor expectativa, encontrei ela. A mais linda do bar. Amigo, você a ia adorar. Nunca vi alguém tão única, tão incrível, tão legal junto com aquele sorriso. Ela sorri com os olhos, mestre. Me perdi ali.

Enfim, mas não foi só por isso que voltei a escrever. Voltando para essa história, estava lá eu conversando com a moça. Um pouco desacreditado, confesso. Mas o que queria ter feito, não fiz. A experiência que queria ter tentado viver, não vivi. E isso vai me consumir por muito tempo ainda.

No entanto, grande, entendi que as melhores músicas são aquelas que escrevemos sobre o que vivemos e não sobre o que sonhamos. Finalmente entendi aquele samba que a gente adora.

Meu amigo, eu te escrevo para contar que resolvi que não mais quero ser aquele menino que tenta alcançar a lua pela poça d’água. Não quero ser igual Naiá.

Também quero tocar a lua. Pelo menos, vou me permitir tocar. Chegou a hora de criar histórias e não fantasias.

Saiba que, na próxima vez que te escrever, vou te contar dessa experiência. Vou me arriscar a viver aquilo que quero. Tentar. Ainda que eu nunca consiga ir à lua (e tudo bem).

OBS: me desculpe ignorar seus ensinamentos, mas essa carta (por enquanto) segue sem um fechamento.Opa, Meu Amigo!

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