Procurando ser quem um dia já fui.

Não sei se já se sentiu assim alguma vez ou se sente de tal forma atualmente. Também não sei dizer se existe um nome especifico para o que irei relatar. Não posso dizer que isso é mais uma “crise existencial” pois crises duram um tempo mediano ou até mesmo curto, e esse caso em especial, já tem durado alguns anos. Mas a única coisa que posso afirmar com certeza do que venho sentindo é, preciso me resgatar!

Já faz algum tempo que me olho no espelho, com a mesma decepção, a mesma ingratidão, a mesma dor e o mesmo desgosto de se quer ter olhado para meu reflexo. Uma parte de mim me pergunta internamente: O que houve com você? Enquanto outra parte de mim afirma: Você travou!

Quem diria que aos 24 anos de idade, ouvindo de tantas pessoas ao meu redor que ainda há tempo e ainda há muito o que se viver, boa parte de mim já tenha desistido. E é totalmente desmotivador olhar pra trás e saber que o que eu era em 2011, saberia enfrentar essas barreiras e seguir em frente.

Nesse momento, meus amigos mais próximos não sabem o que vivo.
Embora a psicologia pudesse me dar um diagnóstico, eu mesmo já sei o que tenho porém tudo ainda parece meio sem sentido. De tanto ouvir a frase: “Você não passa de um fracasso” acho que boa parte de mim acabou acreditando nisso e aceitando esse fardo. Até porque, durante um tempo quem me dissera tal citação, foram pessoas das quais sempre se mostraram contrárias a minha personalidade e as minhas convicções, mas o que mais dói, é ouvir isso de pessoas que um dia já amei. Faz parecer que infelizmente, elas estão certas e que talvez, muito que provavelmente, eu realmente seja.

Respiro fundo.
Olho novamente para meu reflexo.
Meu rosto abatido e meus olhos marejados, traduzem muito do que venho sentido: um descontamento próprio com o que me tornei e um medo do que ainda posso me transformar.

Será que até 2020 vou conseguir fazer algo útil da minha vida?
Será que até lá verei minha mãe vivendo de forma digna sem passar nenhuma humilhação? Será que conseguirei de alguma forma, atingir uma mera independência da qual me faça ter a oportunidade de pagar minhas contas sozinho, sem incomodar ninguém e sem parecer tão fraco?

Em meio a tantos questionamentos e incertezas, antes de entrar em um colapso interno, eu gosto de me esforçar pra pensar que nada disso é a toa e que tudo tem seu propósito. Percebeu que durante esse relato, sempre mencionei partes de mim em vez de falar num todo? É porque felizmente, não me fui consumido 100%. Sei que o que fui em 2011 ainda existe. Só não sei aonde. E é isso que venho procurando nos últimos tempos. Resgatar quem eu era, não para uma regressão mas sim para um complemento, para uma evolução por completo. Quero descartar a parte em que ainda era imaturo e só colher a perseverança, a auto-confiança, a força e a fé que me cercava, mesmo em meio a tantos conflitos e a tantas batalhas. E se eu ainda me lembro disso, é porque definitivamente sei que nunca fui o tal fracasso que sempre juraram me dizer que eu era.

Talvez seja tarde para uma redenção. Mas não é tarde para um novo inicio. 
Que Deus e todas as divindades me guiem, para encontrar essa parte de mim que se perdeu.

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