Vamos conversar sobre Miles Morales.

Muitas pessoas ao meu redor, já estão mais do que cansadas de saber que eu sou um fã árduo de história em quadrinhos. Passei praticamente minha infância e adolescência inteira lendo gibis, mangás e quadrinhos da Marvel. Sempre usei isso como um refúgio e até hoje leio, mesmo que seja numa proporção menor. Como já dito acima, fui muito influenciado pela editora Marvel e inclusive digo que a mesma é a maior de todas as grandes editoras de fato. Pode parecer exagero, mas toda a forma progressista que a Marvel atua e atuou conforme os anos foram se passando e a forma como ela lida tão bem com representatividade, em fazem ter total apatia pela mesma. Um sentimento de amor e gratidão pelo o que ela vem trago ao público que só pode ser explicado em outro texto, um dia dedico o assunto totalmente a ela, mas vou focar ao tema principal, vamos falar de Miles Morales!

Pra quem não sabe, Miles Morales é o alter ego de Homem Aranha, substituto de Peter Parker após sua morte no Universo Ultimate da Marvel em agosto de 2011. Desde seu surgimento, muitas polêmicas foram envolvendo sua trama devido ao simples fato: ele é um jovem negro.
Na época, houve um alvoroço tremendo da parte dos conservadores e racistas, que por algum motivo estranho, ainda insistem em acompanhar histórias em quadrinhos... Muitas dessas pessoas não ficaram contentes com a novidade e algumas até diziam que isso era apenas um marketing da Marvel para promover o “politicamente correto”

Há quem até hoje mantenha tal perspectiva medíocre, mesmo Miles (e a Marvel) ter mostrado para o mundo o quão ele é importante para o meio e para esse universo em questão. E eu particularmente não consigo entender como funciona a mente desses que se dizem fãs de quadrinhos, sendo que essa editora em especifico, sempre demonstrou muita apatia e apoio a nossa luta. Stan Lee já confirmou que em X-Men, o professor Xavier e Magneto, foram inspirados em nada mais e nada menos que Martin Luter King Jr. e Malcom X respectivamente. Sem contar que um dos super heróis mais importantes e poderosos da editora é o Rei T’Challa mais conhecido como Pantera Negra, que inclusive ganhará seu primeiro filme ano que vem. Além de super heróis negros como Tempestade, Luke Cage, Maquina de Combate, Misty Knight, Blade… dentre tantos outros nomes, deixam cada vez mais evidente que a editora sempre se preocupou com a representatividade que nossas crianças negras buscamos no dia-a-dia, para o bem de nossa própria civilização e saúde mental. Sem contar também que essa questão de representatividade não tem nada ver com aquele julgamento falho de que “estão colocando personagens negros só por causa de uma cota”. Esse argumento chulo caí por terra, quando paramos para analisar as histórias desses heróis e vemos o quão profunda elas são e quão próximas de nossa realidade elas se aproximam. Inclusive, a história de Miles Morales rendeu tanto que hoje ele faz parte do universo principal da Marvel nas HQ’s, o Earth-616!

Eu lembro muito bem de quando era criança, como disse acima um super fã de história em quadrinhos, eu brincava com meus colegas de escola fingindo ser um super herói e sempre que eu dizia que era o Homem Aranha me olhavam com sentimento de negação. Apesar de ser um homem negro de pele mais clara (parda) sempre me dirigiam a palavra dizendo “você não pode ser o Homem Aranha, você não se parece com ele, escolhe outro”. E na época, apesar de já existirem esses heróis acima mencionado (exceto Miles que surgiria só em 2011) na mídia e nos meios de comunicação você não sabia da existência dos mesmos, ainda mais quando se vem de uma família pobre que só tinha uma unica TV para dividir com todos de sua casa. Era triste ouvir isso e olhar para outras possíveis opções e não se sentir representado por nenhuma delas. E o que é mais engraçado, é que quando surgiu a noticia de que Miles Morales seria o novo Homem Aranha, muitos desses colegas também se sentiram desconfortáveis diante da minha felicidade pela tal representatividade. Alguns até me disseram: “Aaahh, mas você nem é tão negro assim Carlos” o que me faz lembrar que colorismo é outro assunto que precisa ser colocado em pauta nesses debates de cunho racial, para mostrar tais experiências como essa para a atual perspectiva sócio-politica.

Quando saiu o filme Capitão América Guerra Civil ano passado, eu fiquei extremamente emocionado pela aparição do Homem Aranha e do Pantera Negra. Ver meus dois super heróis favoritos em cena, finalmente dentro do Universo Cinematográfico da Marvel e ver meus sonhos de infância se tornando real, foi algo inexplicável para traduzir tal sentimento. E eu lembro que da segunda vez que fui assistir o filme, vi umas crianças brincando com os posters do filme que haviam ali no ambiente, e dentre elas, uma criança negra estava muito eufórica por finalmente se sentir representada pelo Pantera Negra e ainda pude ouvir da mesma “Agora eu sou tão importante quanto o Homem de Ferro”. 
Ouvir isso de uma criança, vivendo o que se viveu sem se quer os seus olhos lacrimejarem, é definitivamente impossível!

Agora soube também que Miles Morales será introduzido definitivamente no Universo Cinematográfico da Marvel, ou seja, muito em breve o veremos nas telonas! E esse ultimo filme do Homem Aranha “De Volta ao Lar”, já deixou umas pistas dessa grande surpresa!

Enfim, para finalizar esse texto, proponho uma reflexão profunda com base em tudo isso que relatei e um esforço para a pratica da empatia. Não se trata de colocar um personagem negro numa história apenas por um status ou uma jogada de publicidade qualquer, se trata de acompanhar a evolução da humanidade de forma progressista e finalmente evitar que nossas próximas gerações, mantenham uma mentalidade tão conservadora, mesquinha e mimada.

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