Templos e quitandas

Por vezes, eu só queria estar. Ou ser. Permanecer. Num mundo no qual nada pareceu sossegar a própria existência. Todos sempre na ânsia pelo próximo lanche, pela próxima calça, pelo próximo penduricário, pela próxima televisão, pelo próximo carro, pela próxima casa, pelo próximo salário, pelo próximo emprego, pelo próximo amante. Fechei as portas. Deste exato momento em diante, minha morada não é mais uma quitanda de almas. Farei deste espaço um templo. Também recusarei entrar nas quitandas abarrotadas e sedentas por meu sangue, aquele a quem chamamos tempo, pois é por ele que me sugaram a existência até hoje. Por mais que eu esteja só, não voltarei a trocar meu tempo por uma promessa qualquer de companhia, sempre provisória. Saberei ver e escolher a verdade entre os falsos ídolos… Pelo menos é com isso que eu sonho. E, enquanto eu puder sonhar com isso, saberei que ainda restou humanidade neste corpo.

06.12.2011

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