Algumas notas sobre a “cultura da rachação”
Henrique Guilera
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Não faz um muito, eu estava traçando um pensamento justamente com o mesmo tema. Reli alguns textos e descobri que, infelizmente, isso não é uma preocupação nova.

A esquerda não é acessível, não tem paciência, não ensina, não discute, não escuta. Isso é lamentável! É justamente no diálogo que a conscientização aparece. 
O que acontece? Mais ódio e menos adeptos. É muito difícil que alguém queira chegar ao pensamento crítico tendo que atravessar todo esse mar de ódio. Talvez por isso, a "direita" (Tratando aqui como a direita de Jair Bolsonaro) pareça tão sedutora, principalmente para os jovens. Ela te convida a odiar a esquerda e abandonar o pensamento crítico, já que é muito mais simples pensar em "bandido bom é bandido morto" do que em problemas sociais. A culpa é dessa "direita" escandalizada ou da esquerda que não é acessível? Com certeza da esquerda.

“A violência dos opressores, que os faz também desumanizados, não instaura uma outra vocação — a do ser menos. Como distorção do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra que os fez menos. E esta luta somente tem sentido quando os oprimidos, ao buscarem recuperar sua humanidade, que é uma forma de cria-la, não se sentem idealistamente opressores, nem se tornam, de fato, opressores dos opressores, mas restauradores da humanidade em ambos. E aí está a grande tarefa humanista e histórica dos oprimidos — libertar-se a si e aos opressores. Estes, que oprimem, exploram e violentam, em razão de seu poder, não podem ter, neste poder, a força da libertação dos oprimidos nem de si mesmos.” — 
Paulo Freire — Pedagogia do Oprimido

Por fim, assista: https://www.youtube.com/watch?v=rE3j_RHkqJc

Obrigado pela leitura e ótima texto.

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