#3 Google e Uber na briga para se tornarem o seu motorista

Quem poderia adivinhar que o Uber cresceria tanto a ponto de competir com o Google? Ou será que foi o Google que cresceu tanto a ponto de concorrer com um serviço de carona?

Telefonar para um taxista vir te buscar é um passado muito recente que, ao mesmo tempo, parece muito ultrapassado. Hoje com alguns poucos toques temos um motorista na nossa porta. Daqui a pouco tempo, a realidade de ter um motorista é que está com os dias contados.

Pelo menos é no que apostam duas empresas muito conhecidas de todos nós. Nos últimos anos, Uber e Google tem se preparado para uma interessante batalha: quem chega primeiro ao mercado de carros autônomos.

O Uber tem pouco mais de seis anos de existência e já se consolidou no seu mercado de compartilhamento de caronas — que é como ele se define. Seu modelo de negócio se baseia em conectar passageiros a motoristas disponíveis em um determinado raio de distância. Nesse tempo, o Uber enfrentou forte resistência do lobby de taxistas, ausência de amparo legal, agressivas manifestações contrárias e diversas acusações na mídia.

Mesmo assim, o aplicativo conseguiu ter uma abragência impressionante e hoje chega a atender 75% do mercado americano e está presente em quase 400 cidades no mundo todo. Só que depois de dominar o mercado, o Uber se deu conta de que, para baratear ainda mais o seu serviço e para continuar crescendo, ele precisa cortar custos. E o maior custo em um carro com um motorista é justamente o motorista.

“When there’s no other dude in the car, the cost of taking an Uber anywhere becomes cheaper than owning a vehicle” — Travis Kalanick, CEO do Uber

Nesse caso, adivinha?

TIRA O MOTORISTA!

A explosão de um serviço como o Uber pode ser explicado pelo estilo de vida que as pessoas das grandes cidades tem experimentado nos últimos anos, especialmente após a crise financeira de 2008.

Ter e manter um carro é o segundo maior custo que uma pessoa comum tem na vida, após o custo de se ter uma casa. Juntam-se a isso o trânsito nas cidades e o crescente custo de vida e da consciência ambiental. Além disso, para a Geração Y, ter um carro não é mais sinal de status como era para nossos pais.

Conclusão, as pessoas tendem a estarem mais dispostas a pagar por uso cada uso do carro do que propriamente pagar por um carro e arcar com todos os custos e dores de cabeça que isso traz.

O PLANETA AGRADECE :)

Muito atento às mudanças sociais, o Google investiu em 2013 $258 milhões no Uber, numa clara demonstração de interesse nesse mercado de transporte. Quando isso aconteceu, analistas diziam que o Google pretendia ter o Uber como parceiro ou, até mesmo, comprá-lo no futuro para poder implementar a sua tecnologia de carros autônomos.

Este investimento catapultou o crescimento do Uber para o que a gente conhece dele hoje. Mas por que interessaria ao Google que o Uber crescesse?

Está no DNA do Google tornar o mundo um lugar mais eficiente

Desde 2009 o Google desenvolve sua própria tecnologia de carros autônomos em seu laboratório Google X, em Mountain View, CA. Porém, até hoje, sua experiência não passou de testes em campus ou espaços limitados. O Uber era um investimento interessante pois já dominava incontestavelmente as ruas e era um cliente de maior importância para a sua tecnologia de carros autônomos e para o Google Maps.

Vai ter briga para ver quem chega primeiro ao mercado de carros autônomos

O Google já expressou diversas vezes seu interesse em fazer com que a sua unidade de carros autônomos deixasse de ser um projeto e passasse a ser uma empresa debaixo do guarda-chuva da Alphabet, o que traz a necessidade de gerar renda e, óbvio, lucro.

Para isso, espera-se que o Google entre no mercado de transporte de passageiros, fazendo com que as duas empresas passassem de possíveis parceiras para possíveis competidoras.

O Uber tem a vantagem de ser pioneiro e dominante em seu mercado. Mas uma de suas maiores ameaças está justamente no fato de usar o Google Maps para sua geolocalização. E produtos substitutos no mercado— como o Apple Maps e o AOL MapQuest — ainda são vistos como muito inferiores.

ADORO BERLIN NO INVERNO

Diante da possibilidade de ter o Google como competidor, o Uber fechou parceria com a Carnegie Mellon University, nos EUA, em um enorme projeto para desenvolver a sua própria tecnologia de carros autônomos. Além disso, como forma de um dia possivelmente terminar sua depência do Google Maps, o Uber vem contratando executivos do Google para desenvolver o seu próprio serviço de mapa.

A briga para desenvolver o carro autônomo já afeta a indústria automobilística. A GM disse que, em 2017, já comercializará um carro autônomo super high-tech. A Tesla já está testando uma versão beta. E outras montadoras como a Volvo, a Mercedez e outras seguem no mesmo campo de pesquisa.


E se você acha que isso tudo é futurístico demais, saiba que o Google e a Prefeitura de Nova York já desenvolvem um projeto para trocar os taxis da cidade por carros autônomos.

[Sério, leia a matéria desse link!]


O mais legal dessa história toda? Ver duas empresas interessantes arregaçando as mangas para entrarem nessa briga. De um lado, o Uber, uma empresa que consistentemente desafia o status quo sem medo de partir pra cima de um gigante que dispensa apresentações, como o Google.

De qualquer forma, a tecnologia de carros autônomos vai ser tão desruptiva que forçará toda a indústria automobilística e cidades inteiras se reorganizem, trazendo impactos positivos na redução do uso de automóveis, otimizando deslocamentos, gerando impacto no consumo de combustíveis e muito mais. Os primeiros afetados serão os próprios motoristas — de apps como o Uber e os taxistas — , que sentirão o impacto imediato do desemprego.

Por isso, da próxima vez que você vir um taxista brigando com um motorista do Uber, avise a eles que em breve eles estarão do mesmo lado da briga.

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