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Quando o Fracasso Significa Sucesso: O Case do Google Glass

O fracasso do projeto de óculos inteligentes do Google mostra que não estamos preparados para absorver a tecnologia que somos capazes de produzir

Nemo era o nome do capitão da embarcação subaquática Nautilus, em 20 Mil Léguas Submarinas. Publicado em 1870 por Julio Verne, a atemporalidade do livro é comprovada até e mostra que o homem é capaz de imaginar além de suas próprias barreiras. Foram necessárias, pelo menos, três décadas para que os submarinos atingissem o grau de sofisticação que o célebre autor francês havia imaginado.

Em 2013 o Google anunciou que um dos protótipos mais queridos do seu Lab X iria ao mercado: o Google Glass, com câmera imbutida, comando por toque, acesso a diversos aplicativos da empresa e a promessa de que inauguraria, de vez, a era dos wearable gadgets. O projeto, no entanto, foi descontinuado em janeiro de 2016 e, assim, ficou a pergunta:

Por que o Google Glass falhou?

Publicações especializadas listam algumas razões — técnicas e de gestão de produto — pelas quais o projeto não foi para frente. Dentre elas, problemas de bateria, usabilidade de aplicativos e até posicionamento de preço no mercado.

Mas uma outra importante questão que o case do Google Glass nos traz é:

O Google Glass, de fato, falhou?

Do ponto de vista do marketing, sim. Seguindo o modelo Agile, o produto inicialmente seria vendido para pequenos nichos de geeks e desenvolvedores para que, com feedbacks, o produto pudesse ser refinado.

Apesar do posicionamento de preço alto para limitar o mercado, a idéia de exclusividade atraiu a atenção do grande público que esperava um produto de alta qualidade pelo valor de U$1.500, o que gerou má fama e descontentamento.

Porém, do ponto de vista sociológico o Google Glass cumpriu uma tarefa muito maior que seu propósito de vendas.

Tecnologia é a nova roupa.

Os avanços tecnólogicos andam muito mais rápido do que a capacidade da sociedade em responder às questões que a tecnologia traz. E por isso o Google Glass inaugurou duas importantes discussões: a de tecnologia wearable e os limites da invasão de privacidade.

Hoje, em 2017, a discussão de privacidade parece estar chegando perto de uma maturidade (ainda que longe de uma conclusão). Recentemente, a porta-voz do governo Trump insinuou que a administração Obama teria espionado o então candidato por meio de celulares, smart TVs e, inclusive, microondas (!!)

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Sim, daqueles em que a gente esquenta nossa comida.

A breve história do Google Glass indica bem como a sociedade às vezes não está preparada para as inovações tecnológicas que somos capazes de produzir. Mas inaugurou um cenário que permitiu que, por exemplo, os smartwatches da Apple não se tornassem um fracasso — a despeito de grandes apostas no contrário.

“Failure should be our teacher, not our undertaker. Failure is delay, not defeat. It is a temporary detour, not a dead end. Failure is something we can avoid only by saying nothing, doing nothing, and being nothing.” — Denis Waitley

A reboque da experiência do Google Glass, hoje vemos que a tendência da tecnologia wearable tem se consolidado. Além dos smartwatches, a realidade virtual tem se tornado mais presente, ampliando horizontes de atuação de segmentos que vão desde publicidade, arte e entretenimento até cirurgias a distância e educação.

Especialistas afirmam que os smart glasses devem voltar ao mercado em algum momento. Em um mundo onde as empresas buscam cada vez mais fontes de dados dos usuários, os smart glasses oferece a plataforma perfeita para compreender e refinar o comportamento dos indivíduos. Essa análise mostra que a Apple teria todas as competências que faltou ao Google para que seus smart glasses se tornassem um sucesso.

Com a tendência de internet ubíqua, é muito provável que os smart glass façam, sim, um retorno e se tornem um sucesso de vendas. Até lá, precisamos remodelar nossa idéia de sociedade e nossas leis para atingirmos uma nova forma de consumir tecnologia.

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