Murphy no país das maravilhas

Em termos gerais, a percepção pode ser descrita como: a forma como vemos o mundo à nossa volta. O modo segundo o qual o indivíduo constrói em si a representação e o conhecimento que possui das coisas, pessoas e situações, ainda que, por vezes, seja induzido em erro (Serrano, 2000).

Todos os dias acordamos, entramos em uma espécie de transe diário que compõe nossa rotina de higiene, alimentação, deslocamento e trabalho e não nos damos conta que este dia (esse mesmo que acabou de começar) poderia ser o último de nossas vidas. É claro que ninguém gosta de pensar sobre isso. Quem suportaria ter que conviver com a maldição de saber, sem poder mudar seu fatídico destino, o dia e a hora de sua morte? Assim, em prol de uma vida mais saudável, criamos mecanismos inconscientes de defesa como a ideia de que nada de mal jamais poderia nos acontecer e tocamos nossas vidas em frente:

Nada, absolutamente nada vai dar errado!

“O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído ” 1.
Só sobrou a esperança…

A Caixa de Pandora é um mito grego que narra a chegada da primeira mulher à Terra. Pandora acabou abrindo a caixa liberando todos os males no mundo, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair. Desde então, usamos diariamente esse lenitivo como apoio para superar as vicissitudes que a “vida” nos impõe, quem sabe, para nos forjar homens e mulheres mais fortes.

Outros são pragmáticos e não hesitam em barganhar com Deus e seus intermediários à resolver seus problemas pessoais: Deus, por favor, me ajude! Se você me ajudar eu…

Finalmente, há sempre a opção de largar o leme do barco e simplesmente deixar as coisas se resolverem por si mesmo:

“Deixo a vida me levar, vida leva eu” 2.

Em um mundo recheado de problemas tendemos à diluir a realidade com doses generosas de nossos íntimos desejos otimistas. Em meio ao vácuo que existe entre a realidade concreta e o país das maravilhas que é a realidade imaginada, eis que surge, como um profeta do pessimismo, Murphy! Esse monstro ignóbil da racionalidade, alardeando e assuntando as pobres criaturas humanas com suas leis:

“Se alguma coisa pode dar errado …dará” 3.

Como ele nos adverte e, principalmente, após o que aconteceu nos Estados Unidos há alguns anos, podemos constatar que GRANDES PROBLEMAS podem ser causados pelo desprezo ou esquecimento do que por vezes chamamos de pequenos detalhes.

No caso específico do 11 de Setembro, com uso de “pequenos” estiletes não detectados pelos sistemas de segurança nos aeroportos americanos, homens conseguiram sequestrar aviões e perpetrar um dos maiores marcos do terrorismo internacional de nossa história. A falha de pequenas peças, ainda hoje, derrubam foguetes espaciais e pedaços de ferro na pista de decolagem do antigo concorde já causaram a morte de mais de 100 pessoas. Uma casca de banana na calçada pode te derrubar e sem mencionar o mosquito que ….bem, vamos deixar para lá.

Infelizmente coisas ruins acontecem…

e como diziam os alemães: o diabo mora nos detalhes.

Esteja atento.

Referências: SERRANO, Daniel Portillo. Percepção e o processo. Disponível em: http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Percepcao.htm> Acesso 08 Mar 2016.

1 Titãs, Epitáfio, composição: João Ubaldo Viera

2 Zeca Pagodinho, Deixa a Vida me Levar, Composição: Serginho Meriti

3 Lei de Murphy