“Enteadas” e “lésbicas”: a relação entre pornografia e violência e por que achamos isso normal
Thamires Motta
27017

Olá, gostei muito do texto. Toca em vários pontos importantes sobre a relação entre a naturalização da violência em vídeos pornográficos e o acontecimento de casos terríveis, porém corriqueiros, de violência sexual no país.

Porém, não gostei do último parágrafo. Com certeza a solução do problema não é algo fácil ou trivial, mas parar imediatamente o consumo de conteúdo pornográfico não ajudaria em vários pontos discutidos pelo texto, inclusive prejudicaria o crescente público de mulheres que procuram sites do tipo para próprio prazer, como explicado nesta reportagem da BBC: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150804_porno_mulheres_lk

Além disso, atualmente uma grande parte da veiculação de conteúdo pornográfico acontece via aplicativos de mensagem instantânea, como Whatsapp, Snapchat, etc, com os famosos “nudes vazados”, pornografia de vingança e até transmissões ao vivo em certos aplicativos.

Na minha humilde opinião não especializada, um bom começo para solucionar os problemas supracitados em seu texto:

1- Educação sexual nas escolas e igrejas : Além do ensino do funcionamento dos órgãos sexuais, também é importante o ensino comportamental sobre as relações de respeito para com todos envolvidos, PRINCIPALMENTE para com as mulheres, que mais sofrem abusos físicos e psicológicos. Aí também seria ensinado a evitar os conteúdos problemáticos trabalhados em seu texto. O ato sexual tem que deixar de vez de ser tabu.

2- Apoio a instituições que trabalham onde carece da educação sexual supracitada: Me lembro de reportagens falando de organizações que promovem a prática de sexo saudável (mas não me lembro de cabeça o nome delas). Sei que até uma organização de profissionais de sexo em Pernambuco promove debates e outros tipos de encontros para discussões do tipo. Vale a pena pesquisar também sobre a organização DAVIDA, que apesar de não tratar sobre pornografia, debate sobre a humanização das profissionais do sexo.

3- Dar voz às mulheres: Promover encontro, debates e outros tipos de eventos para as pessoas falarem de suas preferências em relação à pornografia. Se possível, convidando atrizes para falarem das experiências e dos abusos devido à profissão.

4- Apoio a sites e produtoras “Female Friendly: São produtoras que vêm crescendo nos últimos anos, focando seu conteúdo a um sexo mais artístico e menos violento, muitas vezes voltado para o público feminino, mas que encontra adeptos também do sexo masculino. Claro, um aumento de consumo deste tipo de conteúdo, levará maior conscientização. Em uma pesquisa rápida no Google achei esses dois links:

http://acidezfeminina.com.br/mulheres/5-sites-porno-para-mulheres/

http://vip.abril.com.br/noticias/elas-tambem-curtem-5-sites-pornos-para-mulheres-que-voce-precisa-conhecer/

Por fim, espero ter contribuído para a discussão e apontado algumas alternativas.

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