Desculpe o transtorno, mas você é um imbecil

Uma carta aberta de uma menina estressada direcionada a todo ex que ressurge do quinto dos infernos.

Uma colagem bem tosquinha.

Imagine a seguinte situação: você acorda, escova os dentes, arruma a cama, prepara o seu café e vai checar a timeline, como a grande maioria dos internautas faz. Tweets engraçados, fotos de gato, postagens sobre as festas do final de semana e… uma coisa nova. Uma declaração de amor pra você num jornal de grande veiculação. Pessoas compartilham, dizem que queriam viver um amor assim, um amor desse não deveria ter morrido e todo tipo de bobagem.
Às vezes a gente termina uma relação duradoura que as pessoas não conseguem nos associar a figura do nosso parceiro/a. Nossas amigas, num primeiro momento, fazem de tudo pra que voltemos com fulano (vamos usar um conceito heteronormativo nesse texto, outras relações são outros quinhentos), lembram de como nós éramos uma gracinha juntos e tentam amenizar todas as coisas ruins que aconteceram pro relacionamento acabar. Daí você se estressa, diz que as coisas não eram bem assim e elas te levam pra sair, conhecer gente nova. Normal.
Agora, imagine essa dinâmica na vida de uma pessoa relativamente conhecida. Se já causa um stress uma declaração não requisitada, uma exposição entre seu grupo de amigos, na internet, imagine isso numa escala bem maior. Imagine receber mentions de várias pessoas falando que não conseguem superar seu romance com o fulaninho. Não sou eu quem tenho que superar?

É bonitinho ver as pessoas arrependidas? Ah, talvez, vai de cada um. Não quero entrar nessa questão. E nem vamos entrar na questão de relacionamentos abusivos, que é mais problemática ainda e abre um leque bem grande pra discussão. A questão é: se uma mocinha fizesse uma declaração dessas, diriam que ela é uma stalker, uma obcecada, não consegue superar essa fase; a famosa figura da ex namorada louca, que sempre ressurge do nada.

Não condeno quem tem saudade de uma relação, todos estamos sujeitos a fazer parte desse grupo. É claro que você pode ter vivido algo legal e sinta saudade disso, a gente costuma ter saudade que algo que nos fazia bem. Mas vale a pena mesmo revirar tudo isso publicamente, declamando meia duzia de palavras bonitas, por um pouquinho de atenção? Sinceramente, é meio constrangedor.

Uma bela jogada de marketing pro filme, mas uma jogada não muito inteligente na vida real. Espero que a moda não pegue, pois não sei se algumas mulheres se sentiriam à vontade em ler que seu ex gostaria de ter feito um filho com você, só pra ter uma lembrança. Aprecio e acho incrível quando alguém consegue manter uma relação pacífica depois de um término, apesar de acreditar que todo mundo precisa de um tempinho e algumas situações pra demonstrar amadurecimento pra isso.

É o famoso “oi sumida, rs”, só que com algumas palavras mais bonitinhas — e com uma galera batendo palma. Biscoitos.