Até o palco: Jairo Pereira. O sorriso do artista

Quando nasce um artista dentro de você? Na nescidade de criar ou na sensibilidade de enxergar o mundo. Qual mundo? O seu ou o meu? Pode ser o nosso. Misturado. De lá pra cá. Um tiquinho de imaginação com um montão de amor. Borboletas no estômago. Ah, tem que ser contraventor em sua essência. Nos dias de hoje principalmente. Desbravar. Não ter medo ou ter. Medo faz até bem em doses homeopáticas. Artista é gente. Acorda cedo, dorme de madrugada, paga conta, quando consegue, e assiste filme dublado na sessão da tarde. Escreve. Canta. Atua. Fotografa. Sorri. Isso, sorrir. É mais que necessário na vida de um artista. Jairo. Sorria pra gente?

Final de março. Final do verão. Começo do novo disco da sua banda. Aláfia. Que no final do dia tem show de lançamento marcado no Sesc Pompéia. Jairo é luz ao despertar. Recebe todos com seu sorriso. Abraça com a imensidão de um oceano. Na parede de sua casa são fotos de Martin Luther King. Talvez para nunca esquecer que todos os sorrisos de um negro vem com o sofrimento de um outro. Assim, transcreve em suas letras e poesias.

Elegância no tempo de juventude.

Sua história é similar como a de muitos jovens da periferia de SP. Trem pra cima. Trem pra baixo. Aperta que cabe sempre mais um. Gente que atravessa a calçada para não cruzar com ele. Trabalho negado. Acusação feita.

Conversa que vai e que vem. Chegamos no assunto principal. A sua apresentação de mais tarde. Jairo tranquilo no falar. Tenso em suas mãos. Aperta ao lembrar o começo da banda. O show com Elza Soares. Os caminhos que mesmo sem saber aonde vão chegar, caminhamos.

mãos que apertam os sentidos do corpo

Nessas idas e vindas. Jairo recorda que a letra "Ligas Nas de Cem" veio a ideia dentro do trem voltando da periferia para o centro. Letra que mais tarde veio a ser censurada no programa Cultura Livre da TV Cultura. Liberdade. Sempre esbarramos nessa palavra. Liberdade pra Jairo é luz. Luz para sentir e respirar. Poder ir. Voltar. Criar. Jairo fecha os olhos para sentir a luz. A liberdade da sua arte.

Jairo e a sua luz

A tarde entre em um clima de silêncio. Falta pouco para ir ao Sesc. Se preparar. Jairo entra em um estado de calmaria. Escuta as músicas de sua banda para relembrar. Canta em voz baixa as melodias. Arruma suas coisas com calma. Caminha pela casa. Pega a sua mochila. A luz insiste em iluminar o seus caminhos. Aláfia. Caminhos abertos. Vai, Jairo.

Caminhos abertos

Minutos antes de entrar no palco. Não importa o palco. Não importa se existem 10 pessoas ou 500 pessoas. Elas estão sempre te esperando. E isso faz com que seu corpo trema. Sua mão comece a suar. Sua voz embarga. Hora de fechar os olhos e se encontrar com si.

São minutos de silêncio. Minutos que passa um filme pela sua cabeça. Um encontro com a espiritualidade. Força e fé. Sentimentos que se misturam. O silêncio que precede a euforia do palco. Hora de ir até ele. O Palco.

Jairo a caminho do palco.

Os bastidores até o palco são sempre peculiares. Cozinhas. Escadas. Labirintos que se criam até o campo mágico do show. Jairo caminha em passos lentos, como quem curte cada momento com sabedoria. Sem pressa. Caminha. Sem pressa. Espera. Sem pressa. Vive. Jairo, obrigado.

Jairo até o palco

Até o Palco é um projeto de imersão ao universo da cena cultural brasileira. Onde convidamos artistas para ter a abertura da sua rotina pré apresentação, com o intuito de levar ao público um olhar próximo ao encontro do artista com a nossa vida cotidiana. Arte sendo pilar de sustentação para a evolução da nossa sociedade.