Como Gram me ensinou a ver diferentes perspectivas de uma mesma janela

Eu tenho uma teoria de que existem dois tipos de pessoas: as que ouvem músicas românticas com letras melancólicas, pois querem sentir tocar no fundinho do coração partido, ou as que ouvem músicas que falam de amor como ele é, cheio de belezas e complexidades, sem pretensões de ir além do que as próprias letras dizem.

Gram serve para os dois tipos de pessoas. Particularmente, prefiro ouvir bem baixinho em um local silencioso, para que a música pareça falar em minha cabeça, quase que como uma vozinha no meu subconsciente.

A banda de rock alternativo foi formada em 2002, em São Paulo. Era composta por Sérgio Filho (vocal), Marcelo Pagotto (baixo), Luiz Ribalta (guitarra), Marco Loschiavo (guitarra), Fernando Falvo (bateria). O primeiro disco foi gravado de forma independente e com ele surgiu o clipe “Você pode ir na janela”, produzido pelo próprio Sérgio Filho. O clipe, é, até hoje o mais conhecido da banda. Mas, infelizmente em 2007 o grupo anúncio o seu fim. E retornaram em 2014 com uma nova formação, agora sem Sérgio Filho e Luiz Ribalta. É inegável que a voz marcante do vocalista deixou muita saudade, entretanto, a banda segue fazendo shows e divulgando novos trabalhos, como o disco Outro Seu.

A primeira vez que eu ouvi a banda, confesso que quase chorei, o clipe “Você pode ir na janela” é de partir o coração. Primeiramente porque é uma animação feita com muita sensibilidade, que ocasionou também na identidade gráfica da banda, que eu adoro. Segundo, porque a letra atinge um equilibro entre a melancolia e a euforia. O gatinho branco que perde suas sete vidas com as bobagens do dia-a-dia, acaba por ter sua última vida ceifada pela tragédia que é o amor.

O amor, pelo que é retratado por gram, é feito de altos e baixos e assim nos causa o maior efeito de real possível. É difícil não ouvir uma música deles e não se identificar, seja ela falando sobre o amor que nos persegue e nos ocupa, como em Seu minuto, meu segundo, ou falando sobre o fim de um relacionamento, as lembranças e o embaraço que é se desfazer do amor quando ele não nos faz mais sentido.

Ouvindo gram, eu consegui entender um pouco como o amor pode mudar da noite pro dia, e suas diferentes faces, que nos mostra relacionamentos marcados por contradições. Que o ser humano é inesperado, imprevisível e muitas vezes indecifrável. Que cada um tem seu jeito único de amar, e que por mais imensurável que seja o amor que temos por alguém, um dia, esse amor pode não ser mais o mesmo, podendo tornar-se apenas uma amizade, ou uma vaga lembrança.