Memórias têm prazo

Carol Andrade
Aug 9, 2017 · 2 min read

Eu sou a Carol, uma jovem que vocês pensam que conhecem. O que sabem sobre mim? Que eu escuto bandas desconhecidas de rock que ninguém liga? Que eu escrevia poesia, mas parei porque comecei achá-las uma bosta? Que eu sou uma estudante com o I.A baixo que vai atrasar a faculdade por mais um ano? Que eu jogo bem futsal e sou horrível no handebol? Que eu fico bem nas fotos, mas estou acima do peso? Que eu sou negra, mas aliso meu cabelo?.

Foram poucos os que de fato um dia se interessaram em saber um pouco mais sobre mim, por outro lado os que de alguma forma me julgaram pelas aparências, eu não perdi as contas, sei que foram muitos. Um dia uma colega disse “os que mais parecem fortes são os que mais sofreram, e os que mais parecem fracos são os que têm menos vivências.”. Não cabe a mim, aqui, mensurar quem se fudeu mais na vida, porque sei que nessa área todos estamos começando. Porém, é visível nos olhos dos que estão em constantes batalhas compradas apenas pela vontade de viver. Em suas casa, em suas faculdades, em suas ruas, suas cidades, dentro de sí…

Eu tenho alguns medos bobos e outros nem tanto. As vezes eu acordo trêmula e sem respirar perfeitamente, ou as vezes eu nem durmo, ou nem acordo. Todo dia eu tenho tanta coisa pra lidar, que as vezes paro e tento não pensar em absolutamente nada por alguns segundo, e repito isso sempre que a cabeça começa pesar. Mas não é peso na consciência não, isso é outra coisa, talvez eu deva chamar de sobrecarga de memórias.
Às vezes as coisas vem a tona, velho. Eu não quero mesmo ficar remoendo coisas que já passaram, e que já superei, mas infelizmente não posso deletá-las da minha cabeça. Essas malditas lembranças me veem quando estou mais fraca, estão em minha memória de longo prazo. E elas me corroem, aos poucos, devagarinho, e então elas se vão e eu nem lembro que esqueci-las. Queria tanto sentir a presença de momentos que foram apagados, deixados em minha memória de curto prazo como um convite com prazo para expirar.

É gente, isso aqui não é um desabafo para que vocês se sintam culpados de algo. É apenas minha consideração de avisá-los que um dia eu não irei lembrar de coisas que não me interessam, que não importam ou não adicionam amor aos meus dias. Obrigada por fazerem parte da minha memória de curto prazo, tenho coisas maiores pra me preocupar.

    Carol Andrade

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