Um cara questionou no twitter: “quem é Clarice Falcão pra dizer I’m a survivor? Ela é uma menina-branca-do-leblon ”. Ele queria dizer que nas periferias existem mulheres que sofrem muito mais, de males que talvez as meninas brancas do Leblon nunca terão ideia. A intenção do rapaz foi boa, mas também foi rasa. É que sabe o que é? Clarice é mulher. E toda mulher, salvos os recortes sociais, é de alguma forma sobrevivente. Eu não preciso saber da história pessoal da Clarice pra sentir verdade no que ela canta. É por isso que o clipe novo dela cantando Destiny’s Child é maravilhoso. Porque ele fala com a gente. Toda mulher é sobrevivente. Umas sobrevivem a riscos físicos, outras sobrevivem mesmo com sonhos dilacerados, mas todas nós nos vemos no vídeo da Clarice: sorrindo, superando. Toda mulher tem alguém que já a colocou no chão, literalmente ou não. Seja um alguém de carne e osso ou um ser disfarçado de padrão, essa não-personificação daquilo que foi por anos construído e enfiado goela abaixo pra nos manter à rédea curta. Há quem tenha sobrevivido aos distúrbios alimentares, à depressão, ansiedade, medo, ao ex violento, aos sonhos podados na infância, ao estranho na rua, ao parto, ao abandono, aos tantos “você não pode”, “isso não é para você”, “você não”. Há quem ainda esteja lutando. Toda mulher que chegou aos 20, 30, 40, ou além de cabeça erguida, superando crises, confiando nas pessoas, sonhando, realizando, curando tremedeira, insegurança, pesadelo, é sobrevivente. As mulheres do clipe não falam a que sobreviveram, mas a gente sabe. A gente sorri com elas, e se sente abraçada. Somos sobreviventes, não vamos desistir, e estamos cada dia mais fortes.

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