Ah, as maravilhas da Obra Aberta!
Embora eu tenha começado a ler seu texto com cinco pedras na mão, afinal ser chamada de bolsominion é ofensa grave, fiz valer minha habilidade de leitora e pratiquei a empatia.
Neste caleidoscópio buquetubístico (fazendo a graça de Suassuna) nossas visões são bastante diferentes. Encaro o fenômeno dentro da cultura da convergência e da de fã. Vejo leitores comovidos por textos que vão às redes sociais em busca de diálogo entre seus pares. Se isso pode ser considerado um novo tipo de crítica (impressionista talvez?) ainda não sei, mas nem por um segundo eu diria que são jovens sem nada na cabeça que optam pelo meio audiovisual na falta de um corretor ortográfico suficiente.
Tente encarar a comunidade como um clube de leitura virtual onde leitores se encontram para conversar sobre os textos que gostaram (os que não gostaram não são dignos de vídeos) e acredito que encontrará um meio de modular essa implicância, ou para usar o internetês, esse ranço que tens.
Sobre os 99% dos bugalhos, a grande maioria dos canais que conheço não faz publieditoral. Uns por convicções outros por falta de números expressivos de audiência, mas todos continuam lendo e compartilhando suas opiniões na intenção de encontrar um diálogo e incentivar a leitura. Eu tenho os leitores em grande estima, independentemente do gênero ou do valor estético de suas leituras. Quem escolhe roteirizar, gravar, editar e divulgar um vídeo sobre livros quando poderia simplesmente 'jogar uma amoeba no microondas e ver o que acontece' tem meu respeito.
Sobre a venda de resenha como espaço publicitário, te digo que isso não me tira a credibilidade do criador de conteúdo. Eu sei diferenciar um publi. Mas eu sou eu. Eu não sou todo mundo. Concordo que a linha entre jabá e opinião pode ser borrada na falta de cuidado (e há uma fila de musas fitness aí para provar esse ponto), mas tenho acompanhado o amadurecimento da comunidade e vi algumas ondas de autocrítica e autorregulamentação acontecerem.
Eu daria esse crédito a um grupo de leitores. Mas eu sou eu. Eu não sou todo mundo.