A última carta sobre/para você

Ilustração: Henn Kim — Dear Heartbreaker

Eu tenho uma teoria: o amor nunca acaba, apenas se transforma em outra coisa quase tão poderosa quanto ele.

E nós, bom, nós fomos seres humanos tão destrutivos e cruéis um com o outro que o amor se transformou em asco mútuo — pelo menos por um tempo.

Eu sinto muito. Quero dizer, de coração aberto, que eu sinto muito por todas as coisas ruins pelas quais você passou por minha causa.

Também quero dizer que perdoo você por todas as coisas ruins pelas quais me fez passar e implorei, todo santo dia, para ficar livre da dor e da melancolia que me abraçaram desde o término.

Por muito tempo o meu peito foi como um pedaço de solo onde você plantou eucaliptos: não crescia mais nada e qualquer um sabia que levaria um tempo para ser fértil novamente.

Eu cresci, eu me fortaleci, eu entendi que nem tudo é feito para durar da pior, mas mais efetiva, forma possível.

Se escrevo agora é porque preciso dar o meu último grito e dizer as minhas últimas palavras antes de pular no barco e remar rumo a outra ilha. Vou partir e levar apenas as melhores lembranças, mas vou partir.

Meu coração agora é terreno vazio, mas fértil. Finalmente cheguei àquele tão desejado momento em que você olha para trás e não enxerga mais mágoa, dor ou raiva, apenas gratidão e aprendizado.

Espero, do fundo da minha alma, que você esteja canalizando as mesmas coisas agora e que se sinta tão forte quanto eu me sinto.

E, pedindo licença a Theodore em Her, as minhas últimas palavras serão palavras dele:

Sinto muito por isso.
Vou te amar para sempre, porque crescemos juntos. E você me ajudou a ser quem eu sou. Eu só queria que você soubesse que sempre haverá uma parte de você em mim. E sou grato por isso.
Seja lá quem você se tornou, onde quer que você esteja no mundo, estou te mandando amor. Eu apaguei o final.
Com amor.

Adeus.


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