Para seguir, parar.

Foram 365 dias e mais de 365 pessoas impactadas em palestras, workshops e atendimentos individuais. Centenas de reuniões, milhares de e-mails, dezenas de parcerias e textos escritos, centenas de horas de estudo, incontáveis aprendizados. Mais de 5 milhões de minutos de trabalho interno e auto-observação.

Depois de um ano de realizações quase que sem folga, parei.

Parei com os cursos, e-mails, reuniões, planilhas, mapas mentais, planejamentos. No lugar, pedalei, li, fui à praia, à cachoeira, aproveitei a presença das pessoas que amo e me amam. Silenciei. Deixei o corre-corre pra antes (porque não quero manifestá-lo pra depois). Para celebrar as conquistas, me dei de presente algo que não me permiti durante os últimos meses: tempo.

O tempo nos recompensa quando o deixamos adentrar nossa vida. Tem nem uma semana, e a Vida Interna sussurrou, com calma, o que ela queria me dizer, sabendo que eu estava escutando-a. Em nem uma semana, brotaram ricos aprendizados internos e detalhadas intuições sobre o que realizar em 2016. Surgiram daqui de dentro, sem pressa, assanhadas, fazendo cosquinhas internas. Gostoso dar espaço pra vida brotar em sua potência.

Então, antes que o ano comece, te (nos) desejo algo muito precioso: investir tempo no seu tempo. Desejo espaço interno e permissão para o ócio, sem culpa do não-fazer, na confiança de que o silêncio interno traz produtividade e escolhas assertivas. Permita-se perceber somente o ar explorando seu corpo, o passeio das nuvens, o som do sangue caminhando por seus rios internos, a dança da sombra no gramado, os diferentes convites dos sabores em cada cantinho da sua língua, a celebração nas palavras de quem as diz. A sensação da água beijando o corpo, a areia adentrando o espaço por entre os dedos, os janelas na íris da pessoa amada, os diferentes tons de verdes em uma mesma folha, as histórias presentes nas cicatrizes. A Vida se apresentando nos cinco — ou seis — sentidos que ela mesma te presenteou. Pra que todo o resto se isso não é celebrado?

“(…) o futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional de trabalho como obrigação ou dever e for capaz de apostar num sistema de atividades, onde o trabalho se confunde com o tempo livre, com o estudo e com o jogo, enfim, com o ‘ócio criativo’.” Domenico de Masi, em seu livro O Ócio Criativo.

Aproveitando, desejo a todos nós um ano de união entre o que você tem a oferecer e o que o mundo precisa. De coerência, coragem, rede de apoio, realizações que sustentem a vida, preenchimento interno, escuta, consciência, busca e encontro genuínos com a felicidade.

Que 2016 cuide de nós na exata medida em que nós cuidarmos dele e que tudo o que semeamos no ano que acaba brote com toda sua força.

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