Estou demasiado cansada…

Estou demasiada cansada deste sentir carrancudo que me enfrenta com o rosto frio. A minha alma caiu para o meu colo e escorregou para o chão húmido. Olho para baixo e vejo-a, deitada sobre si mesma, exausta de se enxergar perante um espelho sem reflexo. Quebraram-me. Agora, agarro os pedaços de um mim desfeito que, aos poucos, vou construindo com as mãos feridas.

Nestes dias em que o sufoco nos beija o canto dos olhos, deixamos que as lágrimas nos lambam o rosto e permitimos que abracem essas gotas tão nossas. Nestes dias em que o mundo parece instalar-se contra a nossa vontade, sentimos que somos tão pequenos, ao ponto de existirmos apenas perante uma efémera e circunscrita realidade. Queremos abraçar os sonhos mas eles voam sobre as nossas cabeças. Lá estão eles, dançando, tão perto e tão longe, simultaneamente. E é aí que entendemos que podemos dançar com eles… Basta saltar.