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Calo-me. Tire de mim a palavra, tire de mim a presença. Afasto-me. Pois afogada nas lágrimas de rejeição, faço o sangue ferver com dignidade. Desisto. Por muito tempo lutei, nadei contra uma correnteza cujo curso o Universo não parece fazer conspirar a meu favor. Canso-me. Pois dias de interminável espera pelas ilusões criadas em inocência sugam toda energia de minha alma. Adoeço. Escatológico, ácido, corrói, arde por dentro, mil facadas ocasionadas por um único sentimento. Espanto-me. Pois a conformidade de meus pensamentos era falsa, percebo. E a verdade perante meus olhos faz rígido cada segmento de meu corpo. Penso. Na melancolia de um dia que não se faz mais sem todas as possibilidades e alternativas criadas pelo cérebro de uma mortal desesperada pela fuga de si mesma. Recolho-me. Pois suja me sinto da cabeça aos pés desde o último adeus, hei limpar-me e recuperar a confiança, o valor e a certeza que não me resumo a toques e arrepios, mas sim a respeito e consideração. Sonho. Com o impossivel possível nos cantos mais profundos de meu subconsciente, atolados pela frase que mente meu estado de espírito: Estou bem.

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