Eu não vou cozinhar (se eu não quiser)

Eu não sei cozinhar, não sei pregar um prego em um pedaço de sabão. Quando muito um miojo, que modestia parte, fica muito bom. E não me preocupo com isso, principalmente em um viés matrimornial. Quero aprender a cozinhar para MIM. Porque todos os nós um dia vamos assistir masterchef em plena madrugada e tentar reproduzir. Quero saber a receita de um doce gostoso para as minhas Tpm’s, e me virar no dia a dia, pela MINHA independência. Meu marido entenderá que essa não é a minha obrigação, e o dia que eu estiver arrancando os cabelos e queimando todos os panos de prato da cozinha arriscando fazer o seu prato favorito (denovo, porque eu quero e não porque socialmente devo), será melhor pedir um The fifties ou uma pizza, e vai estar tudo bem. A casa é o templo de todos e cada um colabora com um pouco. Ele não entra com o dinheiro e eu com “veja” nas mãos. Meus filhos homens, se eu os tiver, não aguardarão à mesa enquanto eu e quem sabe sua irmã retiramos a louça suja. Tratarão mulheres com respeito, e não conhecerão outra maneira. E tratar com respeito não é apenas segurar a porta, puxar a cadeira…é justamente entender que somos SERES HUMANOS desprovidas da tarefa de honrar qualquer tradição. Não fui “feita” para nada, ter dois cromossoms “X” não me obriga a limpar o chão sozinha. Meus desejos, minha fala, minha forma de ver o mundo: isso sim é intrínseco á minha existência. Minhas viagens, opiniões, meus sentimentos: isso me define. Não a sua barriga cheia, rapaz! Não sou propriedade privada, com função e utilidade definida. Sou ser humano, sou mulher.

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