Uma vírgula, um recomeço.

Um passo a mais. Um passo a frente.

Dentre todas as coisas que aprendi e tenho aprendido durante o curto espaço de tempo chamado Vida, é que temos sempre que recomeçar.

Escrevo isso por causa de uma coisa chamada ‘Tempo’. O tempo nos permite recomeçar; nos permite ir em frente, nos permite enrolar, encher lingüiça. Mas ele também é severo. Ele marca nossa pele, nossas “marquinhas”, nossas rugas. O tempo é precioso, e sábio. O tempo é psicológico. Mas também é fatal; é físico. Prazos, horários, dias da semana, calendário, ampulheta, cronômetro. O tempo não perdoa. Mas ele nos faz perdoar aquela pessoa que a gente jamais achou que perdoaria.

É por isso que devemos respeitar o tempo.

Devemos respeitar os ciclos. Devemos respeitar os relacionamentos, que possuem começo, meio, fim. E, às vezes, se não existe fim, que ele de alguma forma ache como terminar. De como findar, concluir. Mas, também, podemos recomeçar. Os pontos que pareciam ser finais, viram ponto e vírgula, viram vírgula, viram uma página virada. Viram o infinito.

Sábio aquele que compôs Oração ao Tempo. Caetano Veloso sabe das coisas do coração, e da alma.

“(…)

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo.

(…)”

As coisas duram o tempo que devem durar. Aquele trabalho da faculdade, sabe? Aquele prazo fatal do escritório. Aquela hora que parece uma eternidade na sala de espera do médico. Aquele relacionamento merda que você tem ou teve. Ele vai passar. Ele vai terminar. Vai ter ponto final. Se você não pôs ponto final, ele vai terminar de qualquer forma. Calma. Confia!

Devemos respeitar que temos o nosso tempo, o tempo dos outros, mas também o tempo marcado convencional pela sociedade.

“(…)

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo…(…)”

Esse é só um começo pra algo muito maior. Minha vontade de escrever cada vez fica mais forte, e acho que é o coração cheio de Amor, de inspiração, de vontade de viver e poder compartilhar.

Por isso a vírgula.

“Tem dia que põe virgula, tem dia que põe reticências,
tem dia que põe ponto final e tem dia que
tem a necessidade de virar a página,
o tempo todo nós fazemos a experiência de
escrever a vida que somos nós, e o mais bonito:
Nós temos o direito de escolher como vamos
pontuar esse texto, porque Deus trabalha o
tempo todo no nosso coração assim,
para que a gente aprenda a escrever,
para que não venha ninguém escrever por nós
e mesmo que alguém passe pela nossa vida,
que apenas deixe detalhes no seu texto porque
o autor é você, e o mais bonito é que tudo está sendo inspirado por Ele.” ( Padre Fábio de Melo)