Crônica, não, pelo amor de Deus!
Crônica não é poesia e não é prosa. Crônica não é sequer mencionada no mundo da literatura. É coisa de jornalista. Crônica é algo que fica no meio fio. Crônica é coisa de gente que não sabe escrever. É sacrilégio da literatura, é coisa feia, de criança malcriada, não pode, não pode!
Pessoas como a gente, que ganha e reforça sentido por meio da arte escrita, escutam coisas similares sobre a crônica. Claro que eu exagerei um pouquinho, mas é isso que escritores fazem (que pretensão a minha, não?). Exageram. No fundo, eu tenho que admitir que nem sempre concordei com essa alergia toda às crônicas.
Eu comecei a escrever com reflexões poéticas. Não tinha nem forma nem lugar pra ir. Fui melhorando ao longo da idade. Cheguei à poesia. Estou numa empresa, escrevendo. Não poesia, claro que não. Tudo bem, talvez apenas no Natal escape alguma coisinha, devo admitir.
Mas, vamos lá, o que me intriga é que blog é uma das maiores ferramentas de crônica que existe. Aceita reflexões de todos os tipos. Todo mundo tem, todo mundo lê, tá tudo valendo, popularizou-se. Só que o mundo continua falando mal das crônicas. Até Clarice, que é Clarice, rendeu-se às crônicas, apesar de a contragosto. Em suas palavras: “ Crônica é um relato? É uma conversa? É o resumo de um estado de espírito? Não sei.”
Então, aqui estou, de volta às minhas reflexões, menos poéticas que antes. Escrevendo nada menos que… crônicas! Ou quase isso. De alguma maneira, elas têm muito a ver com o que eu faço hoje. Eu escrevo histórias curtas e que mobilizam. Histórias que fazem o carinha que já se mata de trabalhar, trabalhar feliz e mais um pouco. Ou quase isso.
Simplifiquei. Mas assim fazem as crônicas.