Desabrocha, vai, desabrocha…
Ah, essas reuniões… se eu fosse cartunista, gostaria de fazer charges só disso. Uma menina do RH discute sobre coisa nenhuma com mais cinco pessoas, que olham para seus slides de ppt e prestam atenção — ou fingem prestar atenção. Ao final da apresentação, os próximos passos mostram claramente que ali não houve reunião produtiva, porque o primeiro bullet é, claro, marcar a próxima reunião.
Reuniões com pessoas graúdas também são engraçadas. Quando junta diretor de tudo para falar de missão, visão, princípios, então, aí a coisa enrosca de vez. Alguém já passou por aquela dinâmica de área feita para descobrir qual o DNA de qualquer coisa? Tinha uma menina aqui que, sem brincadeira, queria montar um evento no qual todos os diretores e executivos deveriam usar máscaras. O propósito? Sei lá qual era o propósito!
E já que estamos falando em máscaras, trago o exemplo das dinâmicas do Jogando no Quintal. Eles sim souberam aproveitar bem seu espaço. Empresa adora pagar gente para fazer o que lá dentro as pessoas já sabem fazer, por isso tem tanta consultoria nos corredores. A diferença é que jogando no quintal não é uma consultoria convencional, é uma trupe de clowns que faz dinâmicas criativas em empresas. Eles não nasceram com esse propósito, lógico que não, o que me faz garantir, ainda, algum crédito a eles. Mas eles são clowns. Na plateia, vejo um outro tipo de palhaço, todos alinhadinhos, engravatadinhos, engomadinhos, os famosos “coxinhas”, de repente rindo das piadas, participando da dinâmica, tendo que cantar, rebolar, pra todo mundo ver, ah, que legal. Nem parece aquele mala sem alça empinado, que trata todo mundo com ar de superioridade. Olha lá ele, mostrando seu lado mais infantil, divertindo-se à beça, batendo no ombro do amigo, abraçando as pessoas, olha lá ele, gente.
Isso, claro, até os palhaços irem embora… Aí ele arruma o cabelo, dá um trato na gravata, um último sorriso genuíno, enquanto o outro não aparece, acena uma última vez para os colegas, desta vez menos espalhafatoso e mais como um lord que realmente é, e se vai. Para sempre.
Mesmo depois de tanto tempo trabalhando em uma empresa, tenho que reconhecer. Esses joguinhos de papeis, máscaras e personas me dão um baile. Não passo perto nem de entender os porquês. Fico a ver navios.