Feliz 2016!!!!

Todo início de ano em firma é a mesma coisa. As pessoas mandam e-mail ou ligam com o protocolo do Feliz Ano Novo!!!! (várias exclamações) já acionado. As várias exclamações funcionam como um pedido de desculpa nervoso, de quem voltou de férias, não queria ter voltado e muito menos começado o ano “incomodando” o coleguinha de trabalho com, quem diria, trabalho! Mas nós estamos aqui pra isso mesmo. É o protocolo que considero interessante. Dá pra imaginar algumas teorias a respeito, outras parábolas relacionadas, dá pra viajar na mitologia e nas reservas de memória para encontrar os porquês desse “feliz ano novo!!!!” seguido de trabalho, coisa que só uma introvertida poderia se interessar em fazer — e talvez os introvertidos de plantão me compreendam. Ou pode apenas ser um protocolo de educação. Simples assim.

Então, considerando que a educação venceu e que há outros tipos de protocolo de começo de ano, nem todos tão nervosos, alguns mais religiosos e outros até, podemos dizer, poéticos para o ambiente corporativo, vou deixar a diversidade do feliz ano novo de lado e pensar nos demais protocolos firmenses.

É natural do ser humano ter uma rotina. Eu tenho, ainda que não goste da ideia de pensar sobre ela. Mesmo quem diz que não tem, tem. O fato — e o que acho — é que a rotina não foi feita para ser pensada, e sim para ser concluída, de forma a não nos darmos conta dela, deixando-a se esquivar, como um ladrão de minutos astuto, silencioso, que se esgueira pelos cantos e pelas paredes, que se espreguiça e murmura de dentro da gente para fora da gente. Ainda bem, diga-se de passagem. Se percebêssemos a rotina a todo momento, isso poderia representar o início de uma mudança de chave, um súbito estado nervoso de achar que deveríamos estar fazendo ou sendo qualquer outra coisa senão aquilo, uma autoconsciência conflitante (de novo para os introspectivos) de que não somos quem desejávamos ter sido, até adormecermos e começarmos tudo de novo, despercebidos, na calma da milagrosa rotina.

E já que a rotina salva, voltemos aos protocolos. Da mesma forma que a rotina nos fornece essa sensação de segurança e alienação, fundamental pra não entregarmos os pontos, as empresas também seguem suas rotinas de segurança e alienação. A diferença é que colocam em sistemas de TI. Então, no fundo, este é o tipo de rotina que foi feita pra dar pau. E, assim, a gente percebe que ela existe com mais frequência do que gostaríamos.

Hoje, cheguei ao trabalho, olhei meus e-mails, respondi aos “feliz 2016!!!!”, aceitei convites para duas reuniões. A senha deu, óbvio, pau, liguei na central de serviços, fui orientada a abrir pelo portal da intranet, que também deu, óbvio, pau.

Nada quer começar neste início de ano pós-férias. Nem mesmo sistemas de TI. O que me faz pensar que empresa é como família. Só muda, mesmo, de endereço.