Globo Rural, Terra da Gente e Caminhos da Roça
Já que citei esses jornais em outro post, achei coerente falar deles, ainda que isso não tenha nada a ver com empresas. Mas justamente por não ter nada a ver é que quero mencioná-los. Eles trabalham com o essencial. Bem, muitas empresas também trabalham com o essencial, mas o que rola dentro dessas empresas, as relações de trabalho, as reuniões, as urgências, é disso que estou falando quando penso em algo que não é nada essencial. Percebam: “Culturas inteiras de milho são perdidas por causa da seca”, mas o gestor está preocupado com a crase errada que saiu no informativo corporativo; “Redução de preço do leite faz produtores abandonarem a atividade”, mas o analista quer seu comunicado sobre publicação de norma para ontem; “Alimentos são perdidos nas rodovias brasileiras”, mas o cartão de Natal do executivo precisava ter saído na semana passada e a secretária dele está uma arara com isso.
Eu sei, eu sei, não dá pra comparar alhos com bugalhos. Cada um joga no seu time. Mas tampouco eu deixo de fazer essas conexões quando me deparo com situações cotidianas de trabalho. Uma coisa é você ser produtivo, eficiente e profundo em sua análise, ajudando a empresa a entregar o que ela promete, afinal, é uma troca simples (seus serviços pelo seu salário), especialmente quando se trata de um serviço essencial para a população. Outra coisa é você acreditar nessas urgências e picuinhas do cotidiano ao ponto de deixar de reconhecer o que realmente é importante na vida, para você e para o andamento e sustentabilidade da corporação.
Produzir alimentos é essencial. Falar de leite é falar de coisa importantíssima. De qualquer produção agrícola, da lagarta que virou praga, dos problemas de infraestrutura, do desperdício, do pagamento precário dessas pessoas que se esforçam para fazer o Brasil ser o celeiro de alimentos do mundo, orgânicos ou não (não entrei neste mérito), isso tudo, sim, é urgente. Por isso eu só assisto a três tipos de noticiários na TV: 1. Globo Rural, porque traz o essencial para a nossa vida em sociedade; 2. Terra de Gente, porque eu gosto de ver passarinhos, mas não pescaria (esta parte eu pulo); e 3. Caminhos da Roça (quando existia, antes de trocarem pelo hilário “Mais Caminhos”), porque eu chorava com a musiquinha de viola da abertura, que mostrava os cavalinhos, as vaquinhas, e tudo que me emociona na vida bucólica. O auge, pra mim, foi quando chorei ao ver a cena da família da roça reunida em torno de uma mesa farta com bolo mata-fome, rosquinhas e café passado no bule, com uma toalha de mesa singela, ao lado do fogão à lenha, com o piso de cimento surrado vermelho e as caras morenas surradas pelo sol. Eu estava grávida nesta época, dá pra entender.