Por favor, use por favor. Muito obrigada.

Isso tem a ver, de novo, com aquela coisa de não perceber o essencial. A gente fica tão imbuído, talvez literalmente embutido, no cotidiano “cubiculado” corporativo, que nos esquecemos do que é essencial.

Certa vez, tocou o telefone na minha mesa:

“Alô?”

“Quem?”

“Oi?”

“Quem?”

“hã… Caroool…”

“Carol, eu preciso dos últimos comunicados que saíram sobre entrada de gestores na companhia, você me manda?”

(silêncio)

“Ok. Vamos começar de novo. Quem tá falando?”

“É o Valdir”

“Oi, Valdir, tudo bem?”

“Tudo bem, Carol”

“Então, Valdir. Não me leve a mal. Mas antes de você pedir alguma coisa para mim, gostaria que falasse ‘bom dia’ e ‘por favor’. Pode ser assim?”

(silêncio)

“Claro, claro… me desculpe, eu não percebi que tinha sido grosseiro”

“Não tem problema. Mas vamos lá… o que você precisa mesmo?”

Situações parecidas se repetem em todas as empresas. Inúmeras vezes recebo e-mails e telefonemas em que preciso situar a pessoa do outro lado, nem sempre tão diretamente, sobre a boa educação. É como se eu precisasse dizer: “Volta pro berço, cara, pro berço. Tente se lembrar lá nas profundezas do seu inconsciente os ensinamentos de sua mãe!”.

Cordialidade é cidadania também. Evita conflitos. Flui. Não emperra. Deve haver cordialidade e respeito até entre inimigos. E não dá pra fingir que não existem inimigos no mundo corporativo, não é à toa que todos os executivos (aposto) já leram a arte da guerra, o que, inclusive, me nego a ler. Essa coisa de estratégia e planejamento nas relações é realmente difícil de engolir. O que me faz lembrar que certa vez vi uma menina fazendo um mapa de contatos num daqueles programinhas de mapa mental. Ela descrevia tudo ali, nome, telefone, o que precisava fazer para manter aquela pessoa em seu mapa. Tinha estratégia até sobre o que deveria conversar com aquela pessoa.

Fui embora para casa me sentindo estranha. Será que algum dia alguém já usou dessa estratégia comigo sem eu perceber? Acho que não. Não sou tão importante assim. Só sei que, nesta noite, só o silêncio me confortava.