RH e os testes de personalidade
Não que eu não acredite em testes de personalidade. Acho tudo muito interessante. E não sou do tipo de pessoa que precise de fundamento científico para tudo, ainda que haja uma ciência por trás de muitas dessas teorias.
O problema é quem aplica esses testes.
Testes de personalidade vêm de uma base de conhecimento enorme, teorizadas por mestres da psicologia e estudiosos da mente humana, anos a fio e que, hoje, como tudo, foram sintetizados, reduzidos, objetivados e convertidos em testes homologados por sei lá qual instituição. Não entendo muito, mas sei que é coisa séria. E sei, também, que vêm sendo aplicados pelas empresas na escolha de quais tipos de profissionais devem ser contratados. Ai, ai.
Originalmente, esses testes foram elaborados para estabelecer padrões de comportamento, com respeito à diversidade de tipos, e não haveria nada de errado em ser utilizado pelas empresas, seria até bem coerente, se, claro, fosse usado para criar políticas de RH mais consistentes e não para ver quem fica com a vaga. Cadê a diversidade, já que a riqueza de qualquer corporação está, justamente, na mistura dos tipos?
Outro ponto. Na maioria das vezes, testes são aplicados por psicólogos muito jovens, imaturos. Que recebem, logo de cara, pequenos poderes. Nada contra ser jovem — ou imatura -, eu até que ainda sou, mas quando era mais, lá pelos meus 20 e pouquinhos, faltava visão de longo prazo. Natural. E poder com imaturidade, adivinhem: pum. Combinação potencialmente explosiva.
E tem mais. Os testes realizados com fins de contratação reduzem a um momento a análise de uma pessoa, como se ele, por si só, fosse capaz de dizer sobre potencialidades, dons, atitude, facilidade para lidar com conflitos, etc.
Vamos imaginar, então, que deve haver outros testes combinados. O olho no olho talvez deva valer mais que o teste. Ainda assim, não consigo evitar em pensar que toda teoria que adquire este aspecto “comercial” acaba por ser banalizada de alguma maneira. Não, definitivamente tem coisa errada aí. Não era para ser subutilizado assim.
Entendo que empresas precisem de filtros. E, com o número imenso de pessoas no mercado de trabalho, este funil precisa ser cada vez mais apertado. Não é pra ser justo. Mas só pra não perder a discussão: será que falta pouco para o RH de empresas ficar mais e mais parecido com revistinha Capricho, do tipo “teste se você é líder ou não”? Fulano é introvertido e, por isso, não sabe trabalhar em equipe? Siclano tem auxiliar em pensamento e, por isso, vai se tornar gestor de pessoas? Será que chegamos a isso?