Casulo

Acabo de perceber que não estou procurando um amor.
Perceba: poderia muito bem dizer relacionamento, mas disse amor.
Talvez eu não esteja procurando nem mesmo uma forma de afeto, seja qual for.
Tenho vinte anos, moro sozinha, vou me formar na faculdade e já iniciei no mercado. Quero sair do país o mais rápido possível. 
Sempre vinculei a imagem de uma mulher bem sucedida com uma mulher que morava sozinha, tinha um apartamento confortável, saía sozinha e não tinha nem filhos e nem marido. Ela era jovem, talvez seja por isso que não possuía tais pessoas, ou, por livre opção. 
Talvez esse espelho fosse uma visão sobre como eu gostaria de estar.
Sem pensamentos machistas ou algo do tipo. Apenas meu subconsciente construindo uma imagem que eu deveria seguir como ideal.
Essa mulher era forte, rígida, porém bondosa. Ela não faria mal à ninguém, não usaria xingamentos e nem menosprezaria alguém.
Talvez eu esteja no caminho de me tornar essa mulher.
Tive um relacionamento na vida, durou alguns anos, não necessariamente seguidos. 
Desde então me vi em diferentes braços por um tempo. 
Mas nenhum me trouxe as borboletas que eu tanto esperava sentir. No máximo moscas que pereciam em alguns dias. Ou horas.
E eu procurava essas malditas borboletas. No metrô, na rua, na faculdade, em festas, bares. 
Escrevia sobre amor como se fosse a única coisa que guiava meus dias.
Sempre buscando um tal conforto que ninguém conseguia dar.
Ninguém e nada. A vida era um imenso desconforto. Porém, continuava feliz e ainda me remetia à uma manhã de sol, frio e orvalho. 
Parei pra analisar meus pedaços. A imagem da solidão não me era inaceitável. Muito pelo contrário.
Muitas vezes eu era mais feliz saindo sozinha do que saindo com amigos.
E ficar sozinha em cômodos da casa era totalmente comum e inerente. 
Percebi que todas as vezes em que saía com alguém, não sentia necessariamente a vontade de beijar a pessoa.
Mas eu fazia, por puro protocolo.
E depois, nunca mais conversávamos. 
Não havia uma necessidade de estabelecer um relacionamento agradável nem amigável. Talvez nem a intenção.
Porém, conforme o tempo foi passando, acabei conhecendo pessoas e realmente escutando o que elas me diziam. As histórias, os conceitos e ideais, nem sempre como os meus. 
E percebi que não queria vínculo amoroso algum, não importa quão bonito fosse e quão alto o Q.I.
Talvez uma amizade. Um papo legal de domingo com café e depois cada um viraria as costas e seguiria seu caminho.
Entenda, eu me permito. Se conhecesse alguém legal agora, totalmente teria um relacionamento. 
Mas não aconteceu. Não senti nada que me fizesse tomar esse caminho nos últimos meses. 
E não há nada de errado nisso.
Nem em ficar sozinha. Nem em não querer sair com várias pessoas e ficar com essas pessoas amorosamente. You either have the feeling or you don’t.
Acho que assim começa minha segunda fase de casulo.

Nota: Pra você que pediu um ombro essa semana, é só uma fase. Welcome to the club.

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